Sonica Ekrano Parte I: Existir é Resistir

Já aqui falámos anteriormente do Sonica Ekrano, o único festival de documentário musical do país. Agora que está finalizada a 5.ª edição, que decorreu no teatro municipal ArteViva no Barreiro, numa sala sempre bem composta, apresentamos aqui no De Norte a Sul – num rigoroso exclusivo – um relato completo do que pudemos acompanhar ao longo de 9 dias intensos de muitas ideias, música e filmes numa tetralogia de artigos. Na primeira parte mergulhamos a fundo nas questões do nacionalismo e soberania. Todos sabemos que durante o século das luzes a Europa do Iluminismo enriquecia (uma pequena elite, claro, porque …

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Sonica Ekrano Parte II: A aldeia global tem porteiro

Neste novo artigo da cobertura exaustiva da 5.ª edição do Sonica Ekrano, o único festival de documentário musical do país, abordamos uma mão cheia de filmes que abrem uma série de janelas para observar, reflectir e debater sobre aquilo que é transversal a todas as civilizações e todas as épocas, a condição humana. Nesta segunda parte olhamos para essa coisa maravilhosa que é a globalização de cima para baixo, o olhar paternalista que nos permite diminuir os outros e a peste negra do racismo. O mundo que nos prometeram com o advento da globalização foi um universo de partilha e …

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SONICA EKRANO Parte III – Musica Universalis

Na entrevista com o programador do Sonica Ekrano Rui Pedro Dâmaso, publicada anteriormente aqui no De Norte a Sul, falámos da música como veículo primordial para exprimir a criatividade humana, individual e colectiva. Nesta terceira parte da cobertura do festival, fugimos da indústria musical de massas e viajamos até ao horizonte longínquo da música de muitos mundos diferentes, com um pé na tradição e outro no experimentalismo, num delírio interestelar. Um dos mandamentos sagrados do liberalismo é que não pode haver liberdade sem liberdade económica. O que isto significa é que não se pode cercear a liberdade de explorar os …

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SONICA EKRANO Parte IV – El Árbol de Los Libres

Chegamos ao fim da reportagem completa do Sonica Ekrano, com a última leva de filmes a que assistimos no Barreiro. Hoje viajamos um pouco por tudo o mundo, com partida nos Estados Unidos, passamos pela Austrália e Indonésia, damos um salto à Europa (França, Eslovénia e Noruega) e aterramos no Brasil. O mote para esta última parte é a revolta musical e social, o activismo TikTok e a rebeldia consciente, à sombra das folhas largas de uma árvore mítica. Numa altura em que tudo é arte performativa, desde a política, passando pelo amor até à manifestação artística propriamente dita, é …

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Acampadas:O Grito das Praças Contra o Último Campo de Concentração

É escusado andarmo-nos a iludir: a nossa vida está já acampada defronte da barbárie.Vemos, à nossa frente, uns melhor do que outros, uns porque vêem como num dia limpo pela chuva, outros porque ainda se recusam ver através das nuvens negras, a cancela aberta, o portão de aço que nos volta a atrair com a máxima: “arbeit macht frei”, o trabalho liberta. Os nazis foram mestres na arte cruel de receber quem, pela morte da bala, da câmara de gás, dos fornos de incineração e da vala comum, “libertavam”. Na verdade, conseguiram também a proeza de, num truque de linguagem, …

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Entrevista | Uxía: “Quero que a minha vida musical seja uma constante de movimento e de experimentação”

Uxía arrancou aturujos cantando em Tóquio, travou amizades gravando um disco no Rio de Janeiro e comoveu o público a partir de um palco em Chicago. Quatro décadas de trabalho musical honesto e cuidado que demonstraram como o que se faz de mais genuíno é o que melhor nos pode conectar com as demais. O seu percurso combina interpretação e composição, produção, direção artística e até divulgação na rádio pública. Com mais de uma dúzia de discos, a sua trajetória está muito ligada a tecer redes com outras artistas: foi mentora das Malvela, criadora do festival lusófono Cantos na Maré, …

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TAP: a história de uma companhia entre privatizações, renacionalizações e milhares de milhões de euros públicos

Desde a crise financeira de 2011 até à escolha da Lufthansa, em outubro de 2026, a companhia aérea portuguesa atravessou sucessivas tentativas de privatização, mudanças de acionistas, um resgate público de 3,2 mil milhões de euros e disputas sobre o seu futuro estratégico. A história da TAP é também a história de quinze anos de decisões políticas, negócios internacionais e uma pergunta que continua sem resposta definitiva: quanto custou ao Estado manter a companhia e o que receberá, efetivamente, pela sua venda? Uma análise de A 14 de outubro de 2026, o Governo português anunciou a escolha da Lufthansa para …

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O ouro de Barroso

O ouro de Barroso está dependurado por uma corda. Visto assim, parece uma maneira pouco prudente de guardar uma fortuna. Mas a casa sabe o que faz. Estes presuntos obrigam-me a pensar nas mãos. Nas que trataram dos animais, nas que salgaram a carne, nas que sabem, pelo hábito e pela atenção, quando é preciso mexer e quando convém deixar estar. Há conhecimentos que uma pessoa leva anos a adquirir e explica em duas frases. Parece simples porque alguém já fez a parte difícil. A fotografia apanha o resultado. O trabalho teve de caber nos dias, entre outras tarefas, cansaços …

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Barroso levanta-se contra os interesses privados do lítio

Revolta do Barroso transforma-se em ação direta com o bloqueio das máquinas da Savannah e protestos nacionais. Redação | Cerca de trinta pessoas bloquearam, no passado 9 de outubro, o avanço das máquinas da mineira Savannah em terrenos baldios e privados abrangidos pela declaração de servidão administrativa. O protesto motivou também quatro manifestações de apoio em Lisboa, Porto, Coimbra e Braga. “Ninguém nos quer ouvir. Tivemos que recorrer ao bloqueio.” A posição dos populares foi expressa pela associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso através das redes sociais evidenciando o sentimento de indignação acumulado ao longo de anos de …

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Bancada indígena encolhe para três representantes na Câmara dos Deputados

Redação | Nas décimas Eleições Gerais no Brasil, realizadas no passado dia 4 de outubro, a bancada de deputados federais indígenas na Câmara dos Deputados sofrerá uma redução na próxima legislatura, caindo de quatro para três representantes a partir de 2027. Nas urnas, Paulo Guedes (Minas Gerais) e Juliana Cardoso (São Paulo), ambos do Partido dos Trabalhadores, conquistaram a reeleição — garantindo o terceiro e o segundo mandato, respetivamente —, enquanto Sônia Guajajara (Partido Socialismo e Liberdade – São Paulo) assegurou também o seu segundo período parlamentar. Em contrapartida, Célia Xakriabá (Partido Socialismo e Liberdade – Minas Gerais), que integrava …

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Bandeira do Brasil

2º Turno das Presidenciais Brasileiras

Introdução No dia 4 de outubro de 2026, mais de 125 milhões de eleitores brasileiros foram às urnas para o primeiro turno das eleições gerais. O resultado confirmou a profunda polarização do país e definiu os dois candidatos que disputarão o segundo turno no próximo dia 25 de outubro. Este artigo apresenta um balanço do primeiro turno, a nova configuração do Congresso Nacional, os perfis e as posições geopolíticas dos dois candidatos que seguem na disputa, e a relevância desta eleição para a América do Sul e para o bloco dos BRICS. 1. Resultado do Primeiro Turno Com praticamente 100% …

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Entrevista | João Mascarenhas: “ao se aproximarem da BD as pessoas vão ficar de sorriso nos lábios“

João Mascarenhas leva 40 anos a elaborar Banda Desenhada, sobretudo a relacionada com as suas atividades científicas e técnicas. Engenheiro e investigador, adora divulgar e tornar simples a ciência mais difícil de perceber para o público em geral. Fala-nos de Lisboa com otimismo de uma arte vinculada ao papel e à criatividade, nos tempos do digital e da IA. Como começa a Banda Desenhada (BD) a fazer parte importante da sua vida? Realmente há sempre um momento para alinhar. No meu caso foi o meu pai que, quando eu era miúdo, me comprava clássicos: Tintim, Astérix… foi aí que eu …

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Vende-se cidade. Inquilinos à parte.

Tenho acompanhado o entusiasmo com que se anuncia a valorização das nossas cidades. Cada prédio vendido por uma fortuna é uma boa notícia. Cada renda aumentada é um sinal de dinamismo. Cada morador que sai deve ser, suponho, uma oportunidade de estacionamento. O Porto está cada vez mais bonito. Há fachadas recuperadas, hotéis onde antes havia vizinhos e menus em línguas que os empregados dominam melhor do que o salário lhes permite dominar a vida. Um sucesso. Só falta encontrar maneira de acomodar os portuenses, essa população pouco competitiva que insiste em precisar de uma cozinha e de um sítio …

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A esquerda, a nação e o nacionalismo

Gosto muito dos textos de Sergio Aires para o De Norte a Sul. Parecem-me brilhantemente escritos, e destilam uma visão do mundo com que me identifico profundamente. Como galego que sou, continua a chocar-me às vezes o uso que faz da palavra nacionalismo, mas em geral fico a pensar que eu gostava de escrever como ele. Afinal é uma raridade que na Galiza continuemos a usar essa palavra como usamos, enquanto na Europa e no mundo o conceito identifica movimentos de extrema direita. Suponho que no fundo gostamos de rarices, e inclusive de sermos uma. Fora das fronteiras da Galiza, …

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Falece Xosé Manuel Beiras, figura central da política galega

“À primeira vista parece um leão. E é.Mas tem a delicadeza do cervo,a paciência do gato,a lealdade do cão,a solidariedade das aves, que se ajudam no voo,o sentido de honra do touro de lide, que cresce com o castigo,e a inteligência dos raros homens que dão prestígio à condição humana.Galego tinha de ser..”Eduardo Galeano Redação | A Galiza despediu-se de uma das personalidades mais destacadas da sua vida política institucional, social e académica contemporânea. Xosé Manuel Beiras Torrado faleceu em Briom no passado dia 8 de outubro, aos noventa anos de idade. Com a sua partida, deixa uma pegada profunda …

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Entrevista | João Neves, Diretor do Instituto Internacional da Língua Portuguesa

De Norte a Sul entrevista João Neves, Diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Conversamos com ele após a sua recente visita à Galiza para abrir o XVIº Curso de Capacitação para a elaboração de materiais, neste caso galegos, para o Portal de Professor de Português desta instituição. Entrevista | João Neves Biografia de João Laurentino Costa Pinho Neves, Diretor-Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. . Nota Editorial Por razões de qualidade técnica de captação de áudio e imagem, um segmento de aproximadamente 10 minutos da entrevista original não foi incluído na versão em vídeo. De forma a …

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Podia voltar

A parte mais difícil desta história é saber que Maricarmen podia voltar a casa. Havia um acordo. Depois do despejo, depois das pessoas à porta, depois da entrada no hospital, encontrou-se uma solução para que regressasse. Maricarmen aceitou-a. Morreu antes de regressar. Tinha 87 anos. Fico presa a esta ordem dos acontecimentos. Primeiro, tira-se uma mulher de casa. Depois, negoceia-se a possibilidade de a devolver. Pelo meio, há reuniões, declarações, cláusulas, gente satisfeita por ter conseguido resolver um problema. Falta a mulher chegar à porta. Maricarmen foi despejada, em Madrid, a 23 de setembro, da casa onde vivia havia cerca …

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Ficar também devia ser uma ambição

«E tu, ainda estás por cá?» Há perguntas que trazem uma classificação dentro. O «ainda» faz quase todo o trabalho: sugere que a pessoa se demorou, que haverá de perceber, mais cedo ou mais tarde, que está na altura de ir. Pode ter emprego, projetos, uma vida de que gosta. Mas está por cá. Ainda. A quem partiu perguntamos como corre a vida. A quem ficou pedimos, muitas vezes sem dar por isso, uma explicação. Conheço bem o orgulho com que se fala dos filhos da terra que fizeram carreira longe. É um orgulho justo. O que me inquieta é …

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Moçambique: entre o FMI e o subdesenvolvimento

Há uma pergunta que me acompanha sempre que penso na relação entre Moçambique e o Fundo Monetário Internacional (FMI): se há tantos anos recebemos empréstimos e apoio financeiro, por que continuamos tão pobres? Não faço esta pergunta porque acredito que o FMI seja o único responsável pelos problemas de Moçambique. Seria demasiado fácil colocar toda a culpa numa instituição internacional e esquecer os nossos próprios erros. Faço-a porque, olhando para a nossa história, não consigo deixar de pensar se a forma como temos recorrido aos empréstimos externos está realmente a ajudar-nos a sair do lugar. Moçambique é membro do FMI …

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Posto de Escuta

Não é preciso sermos académicos para sabermos todos como andamos a viver a toque de caixa. É o imposto do nosso tempo, do qual quase ninguém está isento. Paga-se, e bem, com o corpo e com a cabeça. Não é por acaso que a ideia da sociedade do cansaço, do filósofo Byung-Chul Han, tem tido tanta saída… Termos como “produtividade” invadiram a esfera científica como invadiram as restantes, transformando o quotidiano dos investigadores em constantes contas a prestar, que normalmente não prestam para nada. A produção científica entrou num tal frenesim que, hoje, a ciência sofre do mesmo mal da …

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