Primeiro Campo Comercial Petróleo do Brasil

A Dependência Energética no Espaço CPLP+ Entre os Fósseis e as Renováveis

O Mundo em Língua Portuguesa Opina, uma rúbrica mensal de Paulo Lamas O Dilema da Soberania Energética num contexto de crise no Estreito de Ormuz A questão do acesso, produção e segurança de abastecimento energético constitui um dos eixos mais críticos do debate geopolítico global contemporâneo. No centro desta discussão reside um dilema estrutural: deverão os Estados procurar a autossuficiência e a autonomia energética através de modelos diversificados ou continuar reféns das redes de interdependência e importação de recursos fósseis? Esta problematização ganha especial complexidade e premência no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e do seu …

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De andar perdido

Sugo no mate. Vai meia vida. Imitando Naipaul, poderia dizer que dentro da casa o ar está quente e carregado. Já podia ir frio e a cidade estar envolta na brêtema. O facto é que no salão soam os compasses melancólicos das Chicharras de Catuxa Salom e eu termino de ler um volume de artigos de Úrsula K. Le Guin. As entrevistas e soltos desta senhora resultam-me profundamente simpáticos, elegantes, lúcidos e aliciantes. Vários dos seus romances e relatos estão entre os meus favoritos. Gosto, com os anos, a cada vez mais, como se Tolkien plagiasse Swift em solaina antiga …

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Entrevista | Margarida Cardoso :“Temos que preservar uma certa humanidade, uma forma mais digna de nos relacionarmos.”

Margarida Cardoso (Tomar, 1963) leva o cinema nas veias. Após 30 anos de carreira, a premiada realizadora e professora da área audiovisual tem trabalhado imenso na crítica à guerra colonial, ao colonialismo e ao pós-colonialismo. Baseada na força do documentário (Kuxa Kanema, Understory, A Costa dos Murmúrios), em 2024 alcançou com Banzo uma relevância que a levou a ganhar a categoria de melhor filme na edição dos Globos de Ouro portugueses, além de triunfar nos prémios Sophia e mesmo candidatar-se aos Óscares americanos na categoria de melhor filme internacional. Conversamos com ela, a passar uns dias em Valpaços (Trás-os-Montes), a …

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Passar à terceira pessoa

Decidi tratar-te por tu. Talvez só amigos e família estejam a ler isto, mas se não couberes nessas categorias, então desculpa a confiança. Gosto de ver na pessoa a que me dirijo exatamente a pessoa a que me dirijo. Não aquilo que me disseram dela, nem aquilo que eu tenha imaginado. Afinal, mesmo que não te conheça, serás um ser humano, em toda a sua completude. Eu quero imaginar-te como ser complexo, e só consigo fazê-lo se te imaginar mais perto. Gosto bastante de pensar na natureza da linguagem. Se estivesse a dizer isto de qualquer outra pessoa, poderia estar …

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Da esperança da poesia (ou a quinta carta)

Conheci o poeta Reginald Dwayne Betts aos poucos, como se houvesse ali um conceito demasiado revolucionário a precisar de ser recebido em doses devagarinhas. Certa vez criminoso, depois recluso, agora advogado de formação, mas também ativista e sobretudo poeta, constrói a sua poesia em torno da experiência da vida. A sua experiência, antes de qualquer outra, mas também a da condição humana no sentido mais amplo, abraçando o erro, a identidade, o questionamento, a memória, a sobrevivência, a redenção. Mas escrever poemas não é o único caminho por onde Dwayne Betts vive a poesia: ele também é bibliotecário. O meu …

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Adeus, caro Foz

Doeu ler na imprensa a morte do Foz. Avisada, pela saúde quebrada, há anos, mas súbita e no dia do seu 85 aniversário. Lembro o sorriso pícaro, o piscar dos seus olhos danados, os lentes tortos, a gargalhada pronta e recolhida, como também o pronto do génio – sempre a desculpar – que reagia ante o abuso e a injustiça, qualquer uma.Lembro a voz característica, a presença sólida, mas frágil, agachando a dor. A palavra repleta de erudição literária, os fundos da memória histórica do ativista. A França, a tradição republicana, os exílios, os velhos livros galegos que tanto amamos. …

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A máquina de costura

Quando a trouxeram para casa, vinha embrulhada num cobertor velho e acompanhada por um silêncio respeitoso, como se entrasse alguém importante. A Maria da Luz tinha vinte e poucos anos, dois filhos pequenos e um marido emigrado em França. A máquina Singer foi comprada em prestações, pagas devagar, com dinheiro contado e ovos vendidos às escondidas na feira de Montalegre. Na aldeia comentou-se. “Houve lá quem comprasse uma máquina de costura.” Naquele tempo, aquilo não era capricho. Era quase uma decisão estratégica de sobrevivência. A Singer ficou encostada à janela da cozinha. De dia apanhava a luz fria da montanha. …

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As Bandeiras de Cisternino

Não há vilarejo da Puglia que não tenha a memória da guerra gravada em pedra. Profundamente gravada em pedra. O sangue derramado nas grandes guerras do século XX incrustou-se para sempre, na Itália setentrional, em monumentos aos “caduti”, em praças maiores ou largos mais singelos, para que jamais se esqueçam as vidas perdidas, tantas vezes, a defender uma causa que, à excepção dos cerca de 50 mil guerrilheiros mortos a combater o fascismo de Mussolini, talvez nem fosse a causa de cada um dos mais de um milhão de jovens italianos caídos no campo de batalha entre 1914 e 1918, …

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Entre o antigo Japão e os primatas

Muriel Barbery, por boca dessa agente encoberta da civilização que é a sua personagem Renné Michel, cita uma passagem dialogada dum filme de Yasujirō Ozu: (Pause) Dans l’ancien Japon, il y a de belles choses. (Pause) Sorvo no café. Que saudade. A beleza dos objetos de antes, feitos a mão, com cuidado, por bons artesãos. Os objetos, os textos, os desenhos, o trato, a alimentação, as interações e até as ideias, diria eu. A civilização enfim que estamos a perder, sugerida a exótico entre duas pausas (as pausas destas cenas são importantes como suspiros). Na trégua fresca das primeiras horas …

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Entrevista | Marco Neves:“Não há um povo, seja qual for, que fale muito bem português e os outros não”

Marco Neves tornou-se um fenómeno nas redes, rádios, podcasts e na televisão ao divulgar a sua paixão pelas curiosidades linguísticas de maneira pedagógica. É tradutor, revisor, divulgador, docente e autor de vários livros. Professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, mora em Lisboa e faz parte do Conselho Editorial do De Norte a Sul. Atende-nos ao telefone, no médio de uma agenda intensíssima que reúne cursos, aulas, escrita, colaborações …. Hoje no estúdio de Lisboa… Não é fácil encontrar o Marco em casa nos últimos tempos com a sua agenda… Sim, tenho muitas participações: …

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O Fardo do Carrasco: A Liturgia da Culpa Ocidental

Um homem com a farda do exército dos Estados Unidos da América aproxima-se do balcão do restaurante de comida rápida numa vila americana qualquer, uma manhã qualquer, e faz o seu pedido. A funcionária aponta a encomenda, recebe o dinheiro e diz ao soldado: “Obrigado pelo seu serviço!” (Thank you for your service!). Esta cena não é apenas uma fórmula conversacional. É o mais parecido com o ritual eclesiástico da Eucaristia que poderemos encontrar na América Protestante — onde as missas são espectáculos mediáticos e catárquicos desprovidos dos Mistérios que ainda são o acto principal da missa católica, a que …

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Entrevista | J.Rodrigues: “A vontade popular de debater sobre o turismo existia, tivemos a perícia de saber como canalizá-la”

A Através Editora acabou de publicar <<Tourists, go home?>>, um volume coletivo que reúne diferentes olhares sobre o fenómeno do turismo contemporâneo na Galiza. Conversamos com o seu coordenador, José João R. Rodrigues, sobre a natureza do projeto, as escolhas editoriais e as perguntas que o livro procura lançar mais do que responder. Porquê este livro e porquê agora? Quando comentei com alguém o projeto do livro, quase unanimemente o pessoal respondia cousas do tipo “ah, que bom!”, “ó, que livro tão necessário!”. A vontade popular de debater sobre o turismo existia, nós tivemos só a perícia de saber como …

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Entrevista | Noemi V. Nogueira: “Estás no lado pequeno, a lutar contra um furacão. És formiga, mas nunca desistir é chave.”

A poucos dias de celebrar o seu 12.º aniversário em 1 de agosto, a Arca da Noe, localizada em Vilar de Santos —um pequeno concelho de mil habitantes a menos de meia hora de Montalegre—, continua a afirmar-se como um dos espaços culturais e musicais mais dinâmicos da Galiza (3 vezes premiado como melhor sala de concertos). Ao longo destes anos, o local tem sido palco de concertos, exposições, encontros, palestras, festivais, oficinas e inúmeras iniciativas que têm contribuído para enriquecer a vida cultural da comarca, sempre com uma forte ligação ao território e às suas gentes. À frente do …

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Da Homenagem e da saudade (ou a quarta carta)

[Por ser mês de julho e porque, se a vida fosse justa, o Chico festejaria agora 77 anos, recupero uma carta que lhe escrevi no último fevereiro, para o ter por perto] A pessoa errada. E eu, na mesa de honra, a representar os autores… Outra vez. Deixem-me começar por saudar-vos, a todas e a todos. Escrevi algumas palavras porque o momento é solene e não quero correr o risco de me perder, esquecer, atrapalhar e, mesmo assim, nada é garantido. É uma honra enorme estar nesta mesa e neste momento, em representação dessa entidade petalosa formada pelos Autores das …

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Depois da xenofobia, o desafio da integração

Sempre que a xenofobia volta a fazer vítimas na África do Sul, o debate concentra-se, quase sempre, nas imagens de violência, nas perdas materiais e na necessidade de proteger os imigrantes. É um debate importante, mas incompleto. Há um outro lado que merece atenção: o que acontece quando os moçambicanos regressam ao país? Nos últimos dias, as redes sociais têm sido palco de mensagens que apelam à população, sobretudo às mulheres, para redobrar os cuidados porque, alegadamente, os moçambicanos que regressam poderão recorrer a roubos e outros crimes. Este tipo de discurso é preocupante. Além de não existir qualquer fundamento …

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liberdadeS

Ditas assim, devagar, como quem passa a mão por uma parede antiga à procura de uma porta escondida.Porque talvez não exista uma só. Talvez a liberdade, no singular, seja apenas uma palavra demasiado limpa para aquilo que somos. Há antes liberdades. Pequenas. Quase secretas.A liberdade de respirar fundo numa manhã fria.A liberdade de olhar alguém nos olhos sem baixar a cabeça.A liberdade de dar um passo fora do lugar onde nos disseram para ficar. E depois há outras. Mais pesadas. Mais antigas. Liberdades que não pertencem a ninguém em particular, que atravessam gerações como um rumor persistente. Liberdades conquistadas devagar, …

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Entrevista | Joana Magalhães: «A ciência também se vai transformando com a sociedade »

Natural de Espinho, Joana Magalhães recebeu em maio de 2026 o MCAA Career Award 2025, a mais importante distinção atribuída pela Marie Curie Alumni Association, tornando-se a segunda portuguesa a receber este reconhecimento europeu. Licenciada em Biologia pela Universidade de Aveiro e doutorada em Bioquímica e Biologia Molecular pela Universidade Complutense de Madrid, desenvolveu investigação em medicina regenerativa, biomateriais e osteoartrite antes de orientar o seu percurso para a comunicação científica, a ciência cidadã e a participação pública na investigação. Depois de catorze anos na Galiza, onde integrou instituições como o INIBIC, a UDC e o CIBER-BBN e foi nomeada …

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Lavadeira

Eu sou neta da Francisca, a Xica. Luandense, filha de uma mulher pescadora, Axiluanda, e de um homem do garimpo, Malangino, que fizeram a vida no musseque do Cazenga, em Luanda. Aos 15 anos, a Xica foi casada ao João, um Ribatejano já dos seus 29 anos, que trabalhava numa obra perto daquele musseque e um dia pediu a sua mão aos seus pais. O João havia chegado àquela terra, antes reinada por Nzinga Mbandi mas que seguia há alguns séculos invadida por povos do mar distante de Portugal. Chamavam-na de província ultramarina de Angola. Dizia eu que o João …

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O Cristiano Ronaldo do Barroso não jogava futebol

Todas as terras esperam, em silêncio, que um dia alguém as torne maiores do que o mapa onde cabem. É um fenómeno raro. Não depende da geografia, nem da riqueza, nem sequer da sorte. Depende de aparecer alguém que carregue um lugar às costas sem nunca o transformar num fardo. Há quem o faça correndo. Há quem o faça caminhando. Uns atravessam fronteiras com o corpo. Outros atravessam o tempo. Durante décadas, o padre Fontes fez uma pergunta que parecia simples, mas continha uma inquietação maior: o que acontece a um povo quando deixa de reconhecer a sua própria voz? …

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Formação internacional em Compostela reforça ensino do português na Galiza

Conclui em Santiago o curso internacional para a criação de materiais didáticos de português, adaptados ao contexto galego. Ensino galego de português passou a ganhar projeção mundial com os novos materiais disponibilizados para mais de 25.000 docentes inscritos na plataforma. Redação | Entre os dias 6 e 10 de julho, nas instalações da Escola Galega de Administração Pública (EGAP), aconteceu a XVI edição do Curso de Capacitação para a Elaboração de Materiais Didáticos de Português, uma iniciativa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. A formação foi orientada pelas especialistas Edleise Mendes e Viviane Furtoso, referências internacionais na área da didática …

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