O observador de nuvens

Francisco Remiseiro (Barro, 1975) aprendeu o ofício com o avô. Este artesão autodidata, que se dedica a criar imagens de santos, altares, trípticos, barcos de pedra e artefactos diversos, desenvolve uma arte figurativa e conceitual no trabalho humilde da pedra e da madeira. As suas excecionais habilidades na escultura derivam do saber ancestral dos canteiros e carpinteiros. É um artista em vias de extinção, detentor de conhecimentos antigos e tradicionais, tal como a sua companheira, a escultora numismática polaca Monika Molenda. Homem generoso, sempre disposto a partilhar a sua sabedoria. Tenta seguir os passos de Asorey, Gregorio Fernandez, Brancusi e …

Continue lendo

A China e o Estreito de Taiwan

O Mundo em Língua Portuguesa Opina, uma rúbrica mensal de Paulo Lamas Contexto: O que aconteceu em Pequim? No dia 10 de abril de 2026, ocorreu um encontro histórico no Grande Salão do Povo, em Pequim: o Presidente da China, Xi Jinping, recebeu Cheng Li-wun, a líder do Kuomintang (KMT), o principal partido da oposição em Taiwan. Esta foi a primeira vez em anos que um líder do KMT visitou o continente com tamanha pompa, ocorrendo num momento de elevada tensão militar no Estreito de Taiwan. A visita, que durou seis dias, focou-se na promoção da paz e no diálogo …

Continue lendo

Sete (ou oito) costelas galegas na Literatura Portuguesa

Luis de Camões (1531?-1580), Eça de Queirós (1845-1900), Fernando Pessoa (1888-1935), Alfredo Pedro Guisado (1891-1975), Augusto Abelaira (1926-2003), Fernando Assis Pacheco (1937-1995) e José Carlos González (1937-2000): estes sete nomes bem conhecidos da Literatura Portuguesa compartilham o terem antepassados nascidos na Galiza. E essas sete costelas provam o “Génio literário português com ascendência galega”, como sintetizou Carlos Quiroga, professor da Universidade de Santiago de Compostela e escritor, nas Jornadas de Língua e + realizadas o 21 de março no Museu da Límia, em Vilar de Santos (Ourense), sob organização da Academia Galega da Língua Portuguesa. E podem ser porventura oito, …

Continue lendo

O fôlego da liberdade

EDITORIAL | Hoje, 25 de abril, nascemos como jornal e como compromisso. Não estamos apenas a somar uma voz à entropia mediática contemporânea. Estamos a tentar construir um espaço de convergência e um projeto comum. O De Norte a Sul surge em abril como rebento em flor para contribuir a atualizar esse espaço atlântico que desafia fronteiras. Nós não iremos encerrar-nos num regionalismo eurocéntrico. Olhamos também de Sul a Norte, para o sul global e para as terras com que partilhamos o mar, não como periferias mas como centros de novos significados e de dilemas fraternos. Vivemos tempos de confusão …

Continue lendo