liberdadeS

   Tempo de leitura: 1 minuto


Ditas assim, devagar, como quem passa a mão por uma parede antiga à procura de uma porta escondida.
Porque talvez não exista uma só. Talvez a liberdade, no singular, seja apenas uma palavra demasiado limpa para aquilo que somos.

Há antes liberdades. Pequenas. Quase secretas.
A liberdade de respirar fundo numa manhã fria.
A liberdade de olhar alguém nos olhos sem baixar a cabeça.
A liberdade de dar um passo fora do lugar onde nos disseram para ficar.

E depois há outras. Mais pesadas. Mais antigas. Liberdades que não pertencem a ninguém em particular, que atravessam gerações como um rumor persistente. Liberdades conquistadas devagar, com vozes, com silêncio, com medo também.
Estas fotografias começaram talvez assim: com esse rumor.
Não procuram explicar nada. Apenas escutar.
Um corpo que corre.
Um gesto suspenso no ar.
Um horizonte aberto onde o olhar se perde.
Pequenas coisas. Quase nada.

Mas às vezes é nesse quase nada que acontece qualquer coisa difícil de nomear. Um instante em que alguém se sente ligeiramente mais leve, como se o mundo, por um segundo apenas, deixasse de apertar.
Talvez sejam essas as liberdades.
Fragmentos breves de claridade.
E nós a tentar guardá-los – antes que desapareçam.

Fotogaleria

Share