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Sociólogo e fotógrafo, Sérgio Aires foi Coordenador Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza – EAPN Portugal entre 1998 e 2006 e, desde então, exerce actividade como consultor independente nas áreas das políticas sociais, desenvolvimento organizacional e gestão de projetos. Entre 2006 e 2018 dirigiu o Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, foi conselheiro político no Parlamento Europeu (2019–2024) e Vereador da Câmara Municipal do Porto (2021–2025).
Desempenhou ainda diversos cargos como voluntário em organizações da sociedade civil, destacando-se a presidência da European Anti-Poverty Network (2012–2018) e é actualmente, vice-presidente da Associação Gentopia – Associação para a Diversidade e Igualdade de Género.
Paralelamente, desenvolve uma actividade continuada como fotógrafo, com dezenas de exposições e trabalhos da sua autoria, tendo participado em campanhas anti-discriminação e promoção de vários artistas e espectáculos. Tem quatro livros publicados: Ninguém Vive Demais – Uma Vida é um Momento (2012), Singular do Plural (2015), Olhos de Ler (2018, com Ana Camelo) e Sassy (2025).
Para melhor conhecer o seu trabalho: www.sergioaires.com


Ditas assim, devagar, como quem passa a mão por uma parede antiga à procura de uma porta escondida.
Porque talvez não exista uma só. Talvez a liberdade, no singular, seja apenas uma palavra demasiado limpa para aquilo que somos.
Há antes liberdades. Pequenas. Quase secretas.
A liberdade de respirar fundo numa manhã fria.
A liberdade de olhar alguém nos olhos sem baixar a cabeça.
A liberdade de dar um passo fora do lugar onde nos disseram para ficar.
E depois há outras. Mais pesadas. Mais antigas. Liberdades que não pertencem a ninguém em particular, que atravessam gerações como um rumor

persistente. Liberdades conquistadas devagar, com vozes, com silêncio, com medo também.
Estas fotografias começaram talvez assim: com esse rumor.
Não procuram explicar nada. Apenas escutar.
Um corpo que corre.
Um gesto suspenso no ar.
Um horizonte aberto onde o olhar se perde.
Pequenas coisas. Quase nada.
Mas às vezes é nesse quase nada que acontece qualquer coisa difícil de nomear. Um instante em que alguém se sente ligeiramente mais leve, como se o mundo, por um segundo apenas, deixasse de apertar.
Talvez sejam essas as liberdades.
Fragmentos breves de claridade.
E nós a tentar guardá-los – antes que desapareçam.


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