Quando a trouxeram para casa, vinha embrulhada num cobertor velho e acompanhada por um silêncio respeitoso, como se entrasse alguém importante. A Maria da Luz tinha vinte e poucos anos, dois filhos pequenos e um marido emigrado em França. A máquina Singer foi comprada em prestações, pagas devagar, com dinheiro contado e ovos vendidos às escondidas na feira de Montalegre. Na aldeia comentou-se. “Houve lá quem comprasse uma máquina de costura.” Naquele tempo, aquilo não era capricho. Era quase uma decisão estratégica de sobrevivência. A Singer ficou encostada à janela da cozinha. De dia apanhava a luz fria da montanha. …
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