Há cinco anos que Jorge Sampaio morreu.
A fotografia que hoje evoco é dos anos 90, numa visita a Montalegre. Eu já era repórter da Rádio Montalegre, embora pudesse passar por uma das adolescentes que estão na imagem.
Naquele tempo, não saberia explicar por palavras o que era a cidadania. Sabia, porém, que havia uma comunidade à minha volta, pessoas com preocupações, ideias e direito a serem ouvidas.
Estar ali, fazer perguntas, contar o que acontecia e olhar com atenção para a realidade local eram já formas de participação.
Com o tempo, percebi que a cidadania começa precisamente aí: no respeito pelo outro, na capacidade de escutar, na defesa da dignidade de cada pessoa e na recusa de aceitar que quem vive longe dos grandes centros vale menos ou deve falar mais baixo.
Jorge Sampaio representou uma ideia exigente de serviço público. Defendeu a liberdade, a educação, os direitos humanos e uma democracia próxima das pessoas.
Para quem trabalha na comunicação local, esses princípios mantêm uma força muito concreta: informar com verdade, dar espaço às diferentes vozes e tratar cada assunto com responsabilidade.
Olho hoje para aquela jovem e reconheço uma aprendizagem que se foi fazendo no terreno. A rádio ensinou-me que participar também é cuidar da palavra pública e nunca desistir de quem tem algo importante para dizer.





