Da Homenagem e da saudade (ou a quarta carta)

[Por ser mês de julho e porque, se a vida fosse justa, o Chico festejaria agora 77 anos, recupero uma carta que lhe escrevi no último fevereiro, para o ter por perto] A pessoa errada. E eu, na mesa de honra, a representar os autores… Outra vez. Deixem-me começar por saudar-vos, a todas e a todos. Escrevi algumas palavras porque o momento é solene e não quero correr o risco de me perder, esquecer, atrapalhar e, mesmo assim, nada é garantido. É uma honra enorme estar nesta mesa e neste momento, em representação dessa entidade petalosa formada pelos Autores das …

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Da oficina de escrita na montanha (ou a terceira carta)

Faz poucos dias que regressei a casa, vinda de uma pequena viagem e de uma enorme residência em tempo e lugar entregues ao ofício da escrita. Regressei de uma experiência que, sei agora, não é possível reproduzir em qualquer outro lugar. Sei disso e, ainda assim, os dedos empurram-se nas teclas no balouçar da memória, atirados à crónica dos meus catorze dias de hospedagem artística na Casa Para Sempre – Vergílio Ferreira, na aldeia de Melo, na Serra da Estrela. A respiração própria que nasce no embalo da aventura fez-se sentir, como sempre acontece, antes da aventura propriamente dita. Começa …

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Da boa influência no mundo (ou a segunda carta)

Fala – dizia Eurípedes –, caso tenhas palavras mais fortes do que o silêncio… ou então, guarda o silêncio, mas é fácil, hoje, desobedecer-lhe e juntar as minhas palavras a tantas outras que, por esse mundo fora, falam e escrevem, festejando a mesma circunstância. Celebrámos, há poucos dias, o centésimo aniversário dessa maravilhosa pessoa que é Sir David Attenborough. O estar uma pessoa fisicamente presente nas festas do seu próprio centenário, é já um feito digno de nota mas, neste caso em particular, os cem anos que se celebram trazem tanto de riqueza, de sabedoria, de partilha, de maravilhamento, de …

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Do começo das coisas (ou a primeira carta)

Fico sempre surpreendida com a simplicidade – é quase uma desfaçatez natural – com que as ‘coisas da vida’ se nos atravessam pela frente, em dias insuspeitos, sobretudo aquelas ‘coisas’ que a princípio parecem pequenos nadas para, logo a seguir, se revelarem de enormíssima importância. Volto uma e outra vez à sensação de que a existência respira uma espécie de subtileza bege, uma força mansinha que nos empurra no sentido certo, consciente do caminho, mesmo quando nós a seguimos inteiramente ignorantes, tanto do percurso como do destino da viagem. (Escrevo o primeiro parágrafo desta minha primeira carta. Pauso e leio …

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