Esta é uma carta aberta à Voz. Precisa de ser ouvida; urge ser usada, escutada e utilizada, sem preconceitos, com todo o seu esplendor. Espera-se, na arte, que a voz seja perfeita; espera-se sempre o virtuosismo e a eloquência. Espera-se da voz o mesmo que se espera da mulher na sociedade: espera-se tudo dela, exige-se a perfeição. A possibilidade de fracasso e de erro é tão ténue: a sociedade, tal como o público, atenta ao ínfimo pormenor onde algo pode falhar; observa-se qualquer indício de fracasso, o exagero, a fraqueza. Apenas aceitam a perfeição e rejeitam a mulher como rejeitam …
Continue lendo
