Vânia Couto, mulher e artista, é cantora, multi-instrumentista, ativista e investigadora da Cultura Tradicional Portuguesa desde os 22 anos. Teve no GEFAC — Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra a sua escola informal, embora a sua formação artística seja em guitarra e voz, através do Curso de Jazz da Academia Sítio de Sons.
Paralelamente, especializou-se em Psicologia Clínica Sistémica, Saúde e Família, na Universidade de Coimbra, sendo também formadora de Intervenção pela Arte com Comunidades. Frequentou ainda o V Curso de Animadores Musicais da Casa da Música.
Integrou o projeto Pensão Flor, distinguido como Melhor Álbum Antena 1 de 2013, que editou dois álbuns e realizou digressões nacionais. Foi professora e fundou um projeto de Educação para as Artes dedicado à aprendizagem da cultura e do património musical e artesanal português na Região Centro.
Ao longo do seu percurso desenvolveu diversos projetos, entre os quais:
-Três álbuns do projeto Macadame, dedicados à recolha da tradição portuguesa e património musical;
- Disco Fonte Grande, editado pela JACC Records, com Maria Villanueva e Vânia Couto, e participação de Maria João, Catarina Moura e Leonor Narciso;
- Disco Rezas, Cantigas e Outros Quebrantos, com César Prata, baseado em recolhas da tradição oral e religiosa;
- Disco Viagens do Fado, dedicado à divulgação do património do Fado em todas as regiões de Portugal.
Especializou-se progressivamente na Cultura Popular e Música Tradicional, desenvolvendo trabalhos de preservação do património e intervenção comunitária, com destaque para:
- Fado de Coimbra na Voz da Mulher — concerto e documentário na Semana Cultural da Universidade de Coimbra;
- Residência artística com as mulheres de Dornelas do Zêzere, para criação de coro comunitário, a convite do XistusJAZZ;
- Branta — One Woman Show, digressão na Galiza com músicas tradicionais populares de intervenção e homenagem a artistas mulheres.
Em 2016 fundou a Associação CATRAPUM, dedicada à intervenção pela arte com comunidades ciganas, pessoas em situação de sem-abrigo, instituições como CERCI-Penela e CERCI-Gaia, bairros sociais, refugiados, CAT’s e pessoas com autismo. Desenvolveu projetos como:
- A Caravana Salatina, espetáculo itinerante sobre o antes e depois de Salazar no Bairro das Salatinas, em Coimbra;
- Festival da Igualdade de Género para crianças e jovens, com apoio da ONU, DRCC e CIG;
- A Viagem de Faruk, encenação para crianças refugiadas baseada no livro da Cruz Vermelha Portuguesa.
Desenvolveu também projetos internacionais de intervenção comunitária em São Tomé e Príncipe (2018) e Cabo Verde (2019), com workshops, aulas de música e desenvolvimento de academias musicais.
Desde 2021 é professora e co-coordenadora do projeto Comunidades Geração, em Tondela e Castanheira de Pêra, desenvolvido pela Associação Orquestra Geração, trabalhando com crianças e jovens em situação de risco, através da criação artística e intervenção psicossocial.
Em 2020 foi distinguida pela Direção Regional da Cultura do Centro como uma das “Mulheres na Cultura e Salvaguarda do Património Imaterial da Região Centro”.
Em 2022 fundou o Coro das Mulheres da Fábrica, coro comunitário com mais de 100 mulheres da Região Centro, dedicado à reinterpretação do cancioneiro popular português e mundial. O coro realizou residências artísticas e concertos com A Garota Não, Úxia, Ceumar e Crua, além de participar num espetáculo de homenagem a Sérgio Godinho, com arranjos de Vânia Couto.
Em 2023 participou no TEDx Universidade de Coimbra com a apresentação Seremos Todos Artistas?, sobre arte como intervenção social. Paralelamente, tem escrito crónicas e artigos de opinião em plataformas de comunicação e publicações universitárias.
Desde então, tem desenvolvido o canto popular comunitário como ferramenta de intervenção artística e social, promovendo a criação de coros comunitários em todo o país.
Co-fundou e foi regente do Coro da Cura ( a convite e criação da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria de Tiago Pereira, acompanha em formações e workshops contínuos o Coro Canto d’Eira e co-fundou o Movimento Primavera de Coros em 2025.
Continua a dinamizar workshops de canto coletivo, residências de formação de regentes e criação de novos coros. É ainda compositora, guitarrista e cantora no projeto Mãe Bruxa, projeto tradfeminista de música de intervenção.
A canção popular do mundo como instrumento de intervenção psicossocial tornou-se o seu principal campo de investigação e ação, através do canto coletivo e da criação de um cancioneiro popular contemporâneo, centrado na política, igualdade de género, inclusão e valores democráticos, quer como formadora e regente, quer a solo, como cantoutora de intervenção.
