Na freguesia de Soandres, na Laracha, vizinhos estão a mobilizar todos os recursos disponíveis para evitar a instalação duma unidade de tratamento de biogás da empresa Bioenergia ACoruña, filial do grupo Cobra. No sábado haverá uma grande manifestação contra.
Redação |
Com a vitória contra o Altri como pano de fundo, novos conflitos locais em defesa do ambiente parecem estar a vir à tona. Semelhante não no tamanho mas sim no procedimento das administrações, a instalação prevista já tinha sido notificada ao concelho anos atrás sem os vizinhos terem sido informados, o que só veio a suceder neste ano.
A empresa detentora, Bioenergia Coruña é filial do grupo Cobra (presente também em Portugal através da ProCME) que à sua vez pertenceria à multinacional francesa Vinci. A indústria potencialmente poluente estaria muito próxima de núcleos habitacionais podendo ainda afetar o rio Anlhons que atravessa vários concelhos da comarca de Bergantinhos. Segundo estimações da própria empresa, o projeto permitir-lhe-ia uma obtenção de receitas superior aos 6 milhões de euros anuais a partir da venda do CO₂ recuperado, do biometano produzido e da cobrança a empresas do setor pecuário pelo tratamento dos seus resíduos. O projeto entra agora em fase de alegações.
Por enquanto a mobilização permanente dos vizinhos, com concentrações, protestos e palestras informativas, já parece estar a dar os seus frutos: as câmaras municipais de concelhos limítrofes que também se veriam afetados como Culheredo, Cerceda ou a Deputação da Corunha já levaram a debate o assunto e se posicionaram contra. Os diferentes partidos políticos também entraram na polémica.
Os protestos estão a conseguir declarações públicas contrárias ao projeto industrial não apenas em administrações do perímetro mas no próprio concelho da Laracha, do partido popular (PPdG), que acabou por se posicionar publicamente contra a proposta de instalação da planta, da qual inicialmente teria sido informado em 2022 sem na altura nada ter alegado.
Assim, dias atrás o presidente da câmara reuniu-se com o governo galego em Santiago, do seu mesmo partido, para “procurar soluções administrativas” e, numa reviravolta muito oportuna própria da política local, acabou recentemente por aderir à manifestação de sábado dia 9 de maio em contra da instalação da planta industrial de biogás.
As instalações da planta industrial teriam uma dimensão de 95.000 metros quadrados em solo rústico e utilizariam 1,5 milhões de litros de agua por ano nas proximidades do río Anlhons. Projetada para o tratamento de 65.000 toneladas anuais de resíduos e a geração de mais de 30.000 toneladas anuais de efluentes líquidos, produziria ainda cerca de 20.000 toneladas de resíduos sólidos sem tratamento específico.
O rio Anlhons passa por vários concelhos da região, sendo que alguns troços contam com proteção ambiental. Finalmente desagua nas rias de Corme e Lage com produção marisqueira e atividade piscatória, além dum importante valor turístico e ambiental vinculado à foz do rio.
O Bloco reclamou ao governo galego um posicionamento sobre a autorização ambiental desta indústria na Laracha e a elaboração duma norma geral sobre plantas de biogás, estabelecendo uma moratória para projetos de grande escala enquanto não existir esse quadro regulador. Também os socialistas do PSdeG criticaram o posicionamento do partido popular ao estes chumbarem em abril uma proposição no Parlamento da Galiza para paralisar a instalação.
No momento atual, com forte oposição social, não há partidos, vozes ou entidades locais a defenderem a instalação do projeto.

