A Xenofobia na África do Sul: mais um teste à eficácia da União Africana

A actual onda de xenofobia na África do Sul não é um fenómeno novo. Trata-se do recrudescimento de um problema recorrente que voltou a ganhar força a partir de abril de 2026, quando novos ataques contra migrantes africanos foram registados em várias localidades daquele país. Esta onda de ataques expõe, mais uma vez, uma das maiores contradições do continente africano: os líderes discursam sobre integração e unidade, enquanto milhares de africanos continuam a ser perseguidos por outros africanos. Tais acontecimentos demonstram que o ideal de unidade africana permanece distante da realidade vivida por muitos migrantes. Segundo informações divulgadas pela DW …

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O cuco já não para no Gestal

Da minha aldeiaDa minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,Porque eu sou do tamanho do que vejoE não do tamanho da minha altura…Alberto Caeiro Nem nos chamamos Balbino, nem nascemos numa aldeia, mas, por sorte, sempre tivemos uma, a aldeia da nossa mãe, o Gestal, no concelho de Monfero, como acontece com tanta gente urbana deste país. Um lugarejo nas ribeiras do Lambre, a menos de quatrocentos metros de altitude que, como tantas outras povoações do interior da Galiza, se está a transformar numa espécie …

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José Pereira: a memória de uma injustiça portuguesa

Há vidas que começam por parecer pequenas porque nasceram numa aldeia pequena. Depois, quando se escutam bem, percebemos que trazem dentro um país inteiro. José Pereira, avô de Rui Barroso Gonçalves, nasceu em Lamachã, a 7 de janeiro de 1914. Cresceu entre irmãos, trabalho, fome e necessidade. Ficou órfão de pai cedo, como Rui recorda, e foi a mãe que segurou a casa e aquela vida toda, num tempo em que as famílias numerosas conheciam a dureza pelo nome próprio. Ainda novo, José Pereira começou a trabalhar na Mina,no baldio que separava Criande, Negrões e Lamachã. Ganhava ali o pão. …

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Entrevista | Miriam da Stop Biogás: “Não queremos abandonar as nossas casas”

Miriam Sánchez Canedo, mora na freguesia de Soandres, na Laracha, e é membro da Stop Biogás. O coletivo, que se opõe à instalação de uma fábrica industrial junto a núcleos habitacionais, alerta para os impactos ambientais e para a saúde da população. O possível impacto sobre o Rio Anlhons, do qual bebem milhares de pessoas nos concelhos a jusante, também está em causa. Esta é uma problemática que já está a preocupar milhares de pessoas na região. O que é isto do Biogás e qual a problemática? O biogás é uma das muitas formas de energia renovável que existem. É …

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Por quê razão odiamos os sem-abrigo

Em 2020, escrevi um artigo com este título para o jornal Público. Estava dentro de uma carrinha emprestada pelo Teatro Art’Imagem à associação Saber Compreender, com refeições quentes na bagageira, e tinha outro nome e identidade de género. Contei a história do Cinco Escudos, um mendigo da minha infância que toda a gente conhecia pelo preço que pedia. Contei como um homem nos pediu desesperadamente uma garrafa de água porque os cafés estavam fechados e ele não tinha onde encher uma garrafinha. A crónica foi uma das mais lidas dos Diários da Pandemia do Público. Partilharam-na. Comentaram-na. Comoveram-se. E depois …

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Mapa Feminicídio ONU

Feminicídio: Crime Autónomo – Sim ou Não? Uma Análise no Contexto CPLP+

O Mundo em Língua Portuguesa Opina, uma rúbrica mensal de Paulo Lamas A Urgência do Debate Sobre O Feminicídio O feminicídio, o assassinato de mulheres em razão do seu género, representa a forma mais extrema de violência contra a mulher. A sua crescente visibilidade na agenda global tem impulsionado um debate jurídico e social crucial: deve o feminicídio ser tipificado como um crime autónomo nos códigos penais? Esta questão ganha particular relevância no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP+), onde a diversidade legislativa e cultural dos seus membros oferece um campo fértil para a análise das abordagens …

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Mudam-se os tempos, mudam-se as letras das canções

A música popular é frequentemente entendida como um território sem propriedade — algo raro nos tempos de hoje, em que até a água, as praias e a terra têm dono. A canção tradicional não pode ser privatizada: qualquer pessoa, sabendo música ou não, pode inventar uma cantiga que, através da tradição oral, passa de geração em geração. No fado, nas desgarradas, nas regueifas e nos bailes galegos, a mesma canção podia ser alterada, misturada e transformada, tanto como desafio artístico como enquanto forma de pensamento, desabafo e protesto. Hoje, porém, este movimento é considerado controverso. Vários projetos musicais e coros …

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Zeca Afonso, Álvaro Siza e José Saramago maravilham em Vite de Compostela

O cantor e músico Zeca Afonso, o arquiteto Álvaro Siza Vieira, e o escritor José Saramago, três das pessoas que melhor identificam Portugal e a sua cultura internacionalmente, conheceram Vite, um bairro não turístico de Santiago de Compostela, e são nele lembrados por produtos que maravilham. As suas singulares histórias abrem uma oportunidade a uma experiência diferente e a gozar de uma maneira ativa de um espaço muito atrativo e enriquecedor, que não costuma ser alvo das atenções das gentes que peregrinam ou visitam a cidade. Estreia de Grândola Vila Morena As vivendas de Vite começaram a ser habitadas em …

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Da boa influência no mundo (ou a segunda carta)

Fala – dizia Eurípedes –, caso tenhas palavras mais fortes do que o silêncio… ou então, guarda o silêncio, mas é fácil, hoje, desobedecer-lhe e juntar as minhas palavras a tantas outras que, por esse mundo fora, falam e escrevem, festejando a mesma circunstância. Celebrámos, há poucos dias, o centésimo aniversário dessa maravilhosa pessoa que é Sir David Attenborough. O estar uma pessoa fisicamente presente nas festas do seu próprio centenário, é já um feito digno de nota mas, neste caso em particular, os cem anos que se celebram trazem tanto de riqueza, de sabedoria, de partilha, de maravilhamento, de …

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Próxima paragem: Inferno?

Já são consideráveis as filas de pessoas que, civilizadamente, se organizam para esperar pelas várias linhas de autocarro que confluem e partem da estação da Casa da Música, no Porto, a uma segunda-feira, às 7 da manhã.Vão, umas quantas, atravessar a ponte da Arrábida, para sul, nota-se nas faces o despertar já cansado, e a semana está só no começo. São, na maior parte, homens. Jovens. Africanos subsaarianos, africanos magrebinos, brasileiros, alguns asiáticos. Calados, cabisbaixos, humildes, trabalhadores, um fala comigo a custo, quando lhe dou o lugar na fila, porque, digo-lhe, ele já ali estava, só que na fila errada. …

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RTP: Esta língua que nos une | 17M

Às portas da celebração do Dia das Letras galego a RTP decidiu falar sobre a língua da Galiza com destaque para a vitalidade da conexão cultural a Norte e Sul do Minho. Foi no último capítulo do “Esta Língua que nos Une“, um programa de 2ª a 6ª com o tradutor, professor da FCSH e linguista Marco Neves. Nascida em outubro de 2025 —e contando já com duas temporadas e mais de 80 episódios— a rubrica, que explora a origem das palavras com reflexões acerca da língua, apresenta-se num tom divulgador e familiar, acessível a todos. Neste caso uma explicação …

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alminhas

As Alminhas: uma leitura etnológica

As alminhas constituem uma das expressões mais significativas da religiosidade popular no espaço cultural galego-português. Presentes sobretudo em zonas rurais do norte e centro de Portugal e em grande parte da Galiza,estas pequenas construções devocionais — nichos, capelinhas ou painéis — são dedicadas às almas do Purgatório e fazem parte da paisagem simbólica das comunidades desde, pelo menos, a Idade Moderna. A origem das alminhas está intimamente ligada à consolidação da doutrina do Purgatório, difundida pela Igreja Católica a partir da Baixa Idade Média e reforçada após o Concílio de Trento (século XVI). A ideia de um espaço intermédio de purificação …

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O observador de nuvens

Francisco Remiseiro (Barro, 1975) aprendeu o ofício com o avô. Este artesão autodidata, que se dedica a criar imagens de santos, altares, trípticos, barcos de pedra e artefactos diversos, desenvolve uma arte figurativa e conceitual no trabalho humilde da pedra e da madeira. As suas excecionais habilidades na escultura derivam do saber ancestral dos canteiros e carpinteiros. É um artista em vias de extinção, detentor de conhecimentos antigos e tradicionais, tal como a sua companheira, a escultora numismática polaca Monika Molenda. Homem generoso, sempre disposto a partilhar a sua sabedoria. Tenta seguir os passos de Asorey, Gregorio Fernandez, Brancusi e …

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A China e o Estreito de Taiwan

O Mundo em Língua Portuguesa Opina, uma rúbrica mensal de Paulo Lamas Contexto: O que aconteceu em Pequim? No dia 10 de abril de 2026, ocorreu um encontro histórico no Grande Salão do Povo, em Pequim: o Presidente da China, Xi Jinping, recebeu Cheng Li-wun, a líder do Kuomintang (KMT), o principal partido da oposição em Taiwan. Esta foi a primeira vez em anos que um líder do KMT visitou o continente com tamanha pompa, ocorrendo num momento de elevada tensão militar no Estreito de Taiwan. A visita, que durou seis dias, focou-se na promoção da paz e no diálogo …

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Sete (ou oito) costelas galegas na Literatura Portuguesa

Luis de Camões (1531?-1580), Eça de Queirós (1845-1900), Fernando Pessoa (1888-1935), Alfredo Pedro Guisado (1891-1975), Augusto Abelaira (1926-2003), Fernando Assis Pacheco (1937-1995) e José Carlos González (1937-2000): estes sete nomes bem conhecidos da Literatura Portuguesa compartilham o terem antepassados nascidos na Galiza. E essas sete costelas provam o “Génio literário português com ascendência galega”, como sintetizou Carlos Quiroga, professor da Universidade de Santiago de Compostela e escritor, nas Jornadas de Língua e + realizadas o 21 de março no Museu da Límia, em Vilar de Santos (Ourense), sob organização da Academia Galega da Língua Portuguesa. E podem ser porventura oito, …

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O fôlego da liberdade

EDITORIAL | Hoje, 25 de abril, nascemos como jornal e como compromisso. Não estamos apenas a somar uma voz à entropia mediática contemporânea. Estamos a tentar construir um espaço de convergência e um projeto comum. O De Norte a Sul surge em abril como rebento em flor para contribuir a atualizar esse espaço atlântico que desafia fronteiras. Nós não iremos encerrar-nos num regionalismo eurocéntrico. Olhamos também de Sul a Norte, para o sul global e para as terras com que partilhamos o mar, não como periferias mas como centros de novos significados e de dilemas fraternos. Vivemos tempos de confusão …

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