liberdadeS

Ditas assim, devagar, como quem passa a mão por uma parede antiga à procura de uma porta escondida.Porque talvez não exista uma só. Talvez a liberdade, no singular, seja apenas uma palavra demasiado limpa para aquilo que somos. Há antes liberdades. Pequenas. Quase secretas.A liberdade de respirar fundo numa manhã fria.A liberdade de olhar alguém nos olhos sem baixar a cabeça.A liberdade de dar um passo fora do lugar onde nos disseram para ficar. E depois há outras. Mais pesadas. Mais antigas. Liberdades que não pertencem a ninguém em particular, que atravessam gerações como um rumor persistente. Liberdades conquistadas devagar, …

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alminhas

As Alminhas: uma leitura etnológica

As alminhas constituem uma das expressões mais significativas da religiosidade popular no espaço cultural galego-português. Presentes sobretudo em zonas rurais do norte e centro de Portugal e em grande parte da Galiza,estas pequenas construções devocionais — nichos, capelinhas ou painéis — são dedicadas às almas do Purgatório e fazem parte da paisagem simbólica das comunidades desde, pelo menos, a Idade Moderna. A origem das alminhas está intimamente ligada à consolidação da doutrina do Purgatório, difundida pela Igreja Católica a partir da Baixa Idade Média e reforçada após o Concílio de Trento (século XVI). A ideia de um espaço intermédio de purificação …

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O observador de nuvens

Francisco Remiseiro (Barro, 1975) aprendeu o ofício com o avô. Este artesão autodidata, que se dedica a criar imagens de santos, altares, trípticos, barcos de pedra e artefactos diversos, desenvolve uma arte figurativa e conceitual no trabalho humilde da pedra e da madeira. As suas excecionais habilidades na escultura derivam do saber ancestral dos canteiros e carpinteiros. É um artista em vias de extinção, detentor de conhecimentos antigos e tradicionais, tal como a sua companheira, a escultora numismática polaca Monika Molenda. Homem generoso, sempre disposto a partilhar a sua sabedoria. Tenta seguir os passos de Asorey, Gregorio Fernandez, Brancusi e …

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imagem de Oleiro a trabalhar- fotogaleria Alberte Paz

Mãos de estirpe

Mãos e alma que transformam a argila. Mãos ferramentas primordiais desgastadas pelo tempo e pelo trabalho. Mãos repletas da sabedoria de uma estirpe que transcende as palavras. Mãos que sentem a textura, controlam a força e modelam a forma. Mãos que aprimoram. Mãos-ponte entre o tosco e o belo. Mãos que transformam o barro telúrico que atravessa milénios. Cada dobra, cada sulco, cada mancha de barro nas mãos de um oleiro contam uma história de meditação e de conexão matéria-espírito. Lentes de fotógrafo que capturam a beleza e revelam a paixão que permeia cada etapa do processo. Lentes vítreas ao …

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