A Raia galaico-portuguesa, durante 8 longos séculos (1143-1991), foi a cicatriz de uma tragédia esquecida no tempo. Pessoas de um lado e outro se entenderam, quer fosse cultural, linguística ou economicamente, formando um conjunto por todos sabido mas por poucos reconhecido. Nos longos anos das ditaduras ibéricas, foi mais do que uma linha traçada nos mapas: constituiu-se como um espaço de silêncio, vigilância e, paradoxalmente, de cumplicidade humana. Entre o Estado Novo português e o franquismo espanhol, a fronteira era simultaneamente barreira e refúgio, onde o controlo político coexistia com práticas quotidianas de solidariedade, contrabando e partilha cultural. Nesse território …
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