Os óculos são um objecto estranho. Ao contrário dos outros equipamentos de correcção dos nossos defeitos, podem muito bem servir de acessório de moda. Fazem parte da identidade de quem os usa duma maneira que, por exemplo, um equipamento auditivo nunca faz. Afinal, estão na cara — são parte daquilo que nos define aos olhos dos outros. E, no entanto, também é verdade que este objecto carrega algumas ideias sobre o tipo de pessoas que o usa — e até serve para aquele insulto quase simpático do «caixa-d’óculos». Pois, é verdade, sou um dos caixa-d’óculos deste país. Os óculos servem-me …
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