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O debate sobre o fim da mudança da hora sazonal regressou ontem ao Parlamento Europeu, com a Comissão e eurodeputados a apelarem ao Conselho Europeu e aos estados-membros para que cheguem a um consenso e implementem a abolição da prática que se repete duas vezes por ano.
Desde 2001, tornou-se obrigatório na União Europeia que os estados adotem a mudança de hora. A proposta da Comissão Europeia, aprovada em 2019, não teve a concordância do Governo português, que se mostrou a favor da continuação da mudança de hora, baseando-se no relatório do Observatório Astronómico de Lisboa.
Na Galiza, com a chegada do horário de inverno, volta a debater-se o seu persistente desfasamento horário. A região mais ocidental da Europa continental alinha-se, por decisão política histórica, com o fuso horário da Europa Central, mantendo-se uma hora adiantada em relação à sua hora solar e a Portugal.
Geograficamente, a Galiza está na mesma longitude que Portugal e Irlanda, países que adotam o Tempo Universal Coordenado (UTC) durante o inverno. A adoção do fuso da Europa Central (UTC+1, ou UTC+2 no horário de verão) pelo estado espanhol, uma decisão que tem a sua origem em 1940, alinha a Galiza com países como a Alemanha, a Polónia e a França, situados muito mais a Leste.
Este desfasamento, onde o pôr do sol se prolonga até muito tarde no verão e o sol de inverno nasce mais tarde do que seria expectável, é altamente prejudicial afetando os horários laborais, escolares e o ritmo circadiano da população.
No debate do Parlamento Europeu sobre a «Eliminação das mudanças de hora sazonais», a eurodeputada do Bloco Nacionalista Galego, Ana Miranda, destacou a necessidade de se proceder ao ajuste do fuso horário e corrigir este desfasamento, já que, em sua opinião, «teria benefícios inegáveis para a qualidade de vida das galegas e galegos e para racionalizar os horários, em comparação com o fuso atual, que não responde a nenhum tipo de economia energética nem de melhoria da vida dos cidadãos».
Segundo defendeu Ana Miranda, adaptar a hora ao mesmo meridiano geográfico, como nos casos de Portugal, Irlanda ou as Ilhas Canárias, «seria a saída mais adequada para a Galiza».
Nesse sentido, lembrou que, em 2007, o senador galego Francisco Jorquera apresentou uma iniciativa no Senado para pedir ao governo espanhol que a Galiza adotasse a sua hora natural, com o objetivo de melhorar o aproveitamento da luz solar.
Miranda, também apontou que o senador nacionalista “Já naquela altura explicou que a mudança de hora, segundo dados do Instituto Energético da Galiza, implica apenas uma poupança inferior a 1% no consumo de energia, contra os 5% do conjunto do estado espanhol”.
Enquanto a UE não toma uma decisão definitiva, a Galiza continua a ser a região onde o sol, durante todo o ano, marca um ritmo diferente do relógio, mantendo o debate sobre a racionalização dos horários e o bem-estar dos cidadãos na ordem do dia.


