As campanhas eleitorais tornaram-se o espelho inquietante do nosso tempo. Decorrem num espaço saturado de desinformação, alimentadas por redes sociais que privilegiam o choque à reflexão, a agressividade ao argumento, o instante ao futuro. Discute-se muito, grita-se mais ainda — mas fala-se pouco do essencial. Nunca houve tantos meios para comunicar e nunca foi tão difícil compreender. A política passou a disputar atenção num território dominado pela velocidade e pela emoção. As ideias longas perdem para as frases curtas; a complexidade cede lugar ao slogan; a verdade torna-se secundária face à eficácia narrativa. Navega-se na espuma dos dias, enquanto os …
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