Sabemos bem qual a diferença entre os democratas e os ditadores, e os média actuais, felizmente, são rápidos a recordar-nos essa diferença.
Os democratas, mesmo que o seu país esteja sob ataque directo de uma potência estrangeira ou de uma organização terrorista, fazem questão de afirmar, e pôr em prática, os princípios da liberdade – de expressão, de movimentos e de organização.
Foi, aliás, com base nestes princípios inabaláveis – que só uma democracia plena pode afirmar – que, por exemplo, após o 11 de Setembro de 2001, os Estados Unidos criaram o ‘resort’ de Guantánamo. Para que, no território estadunidense, propriamente dito, não houvesse qualquer limitação às liberdades, hom’essa!, Washington usou um dos quase 800 quintais militares que tem espalhados pelo mundo, este próximo, imposto por um ridículo aluguer de 1903 que Cuba há muito denuncia, para dar a grata oportunidade a 780 cidadãos, muitos deles menores, de passarem uma temporada alargada sem julgamento, sem termo certo, na verdade, sem nada, oferecendo-lhes tão somente uma inolvidável estadia nas masmorras mais imundas que lhes podia ter dado, no mar das Caraíbas.
Em mais de vinte anos, só 7 (sete) dos 780 desgraçados torturados e abraçados de morte pela democracia foram condenados por um tribunal, em julgamentos considerados, depois, ilegais, porque precedidos de confissões obtidas sob coacção e promessa de que assim sairiam de Guantánamo.
No fim de contas, só um, repito, um desses 780 cidadãos foi depois julgado por um tribunal civil norte-americano, num processo com suposta base legal. Tudo isto em nome de medidas, como o Patriot Act, destinadas a apertar a malha a todos os que “apoiassem o terrorismo”. Ou seja, que supostamente apoiassem, mesmo que não houvesse quaisquer provas disso, quem atacara o país.
Tudo democrático, claro. E, profundamente respeitador dos direitos humanos.
Como bem sabemos, as ditaduras são muito piores.
FONTES: Público / Amnistia Internacional

