Região Norte e a Galiza: uma só frente no combate aos incêndios

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Redação |

Com o espaço Norte-Galiza consolidado como uma das zonas da Europa mais vulneráveis a incêndios de grande dimensão, o combate ao fogo vai passar a contar com uma resposta operacional unificada. Os projetos CILUMES_Interopera e FIREPROTECT marcam o início de uma nova estratégia comum para a gestão de emergências, a interoperabilidade e a coordenação imediata.

As décadas de trabalho ombro a ombro entre o Norte e a Galiza no combate aos fogos resultam de uma continuada colaboração institucional e comunitária. Desde os primeiros acordos bilaterais de proteção civil até as operações conjuntas entre brigadas florestais e corpos de bombeiros de ambos os lados da Raia, a relação moldou-se no terreno. Ao longo das últimas décadas, esta aliança evoluiu para estruturas cada vez mais formais. Projetos como o ARIEM+ ou as fases iniciais do INTERLUMES, permitiram alinhar estratégias de prevenção, partilhar diagnósticos e testar a capacidade de intervenção conjunta.

Dentro desta geografia de cooperação,os eixos das Eurocidades e polos raianos como Chaves-Verim e Salvaterra-Monção, destacam-se como pontos onde o conceito de integração ganha a sua expressão mais prática e quotidiana. A área de Chaves-Verim, enquanto nó central do vale do Tâmega, constitui uma zona de elevada importância logística. Muito exposto a incêndios de grande dimensão, este território beneficia da proximidade entre os centros operativos portugueses e galegos. Essa vizinhança facilita o teste de mecanismos avançados de resposta rápida, a partilha de bases e o pré-posicionamento de meios aéreos e terrestres.

Por seu turno, a ligação socioeconómica e a continuidade ecossistémica da região de Salvaterra de Minho e Monção tornam este eixo num laboratório ideal para aplicar protocolos de intervenção imediata, garantindo que o rio funcione como uma ponte de cooperação.

Ao integrar estes nós urbanos e rurais na arquitetura do CILUMES_Interopera e do FIREPROTECT, assegura-se que as estratégias globais de governação tenham uma aplicação direta e eficaz nos pontos onde a população e a floresta mais necessitam de proteção.

Sob o lema “Resposta imediata aos incêndios na Raia”, o CILUMES afirma-se como um projeto estratégico e estruturante. O seu grande foco reside na eliminação definitiva dos estrangulamentos operacionais que afetam as equipas de emergência quando necessitam de operar conjuntamente.

O CILUMES visa aumentar a capacidade de resposta e facilitar a coordenação em tempo real, incorporando tecnologias de monitorização, comunicação e análise de dados, promovendo programas de formação conjunta para as equipas operacionais de combate e proteção civil.

Esta estrutura financeira, institucional e operacional visa não apenas otimizar a intervenção técnica no terreno, mas também sensibilizar as populações locais, reforçar o trabalho preventivo e envolver ativamente a sociedade civil na salvaguarda de um espaço contínuo vulnerável.

Em linha com os objetivos do CILUMES, o projeto FIREPROTECT surge para aprofundar o reforço da capacidade operacional no combate a grandes incêndios e capitalizar os resultados alcançados no âmbito da iniciativa INTERLUMES.

Alinhado com a prioridade europeia de promoção da adaptação às alterações climáticas, utiliza a cooperação como um instrumento para o desenvolvimento e o fortalecimento das economias verde e azul. O projeto coloca o foco na proteção integrada das serras e parques naturais que se estendem entre a Galiza e o Norte de Portugal e na garantia da sustentabilidade dos meios de combate.

Os incêndios que deflagram nas proximidades da raia apresentam desafios técnicos acrescidos, como a utilização de diferentes sistemas de comunicação rádio, incompatibilidade em conectores de abastecimento de água ou procedimentos táticos divergentes. O FIREPROTECT visa garantir uma atuação mais rápida, eficaz e eficiente.

Com a implementação destas iniciativas, a eurorregião dá mais um passo na consolidação de uma rede de proteção civil. A integração de meios aéreos e terrestres, a harmonização de protocolos e o reforço dos espaços das eurocidades confirmam a cooperação para enfrentar o desafio do fogo.


Fotografia SEGANOSA, Redes sociais

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