Iniciativa MAISRIS3T é cofinanciada pela União Europeia através do programa Interreg. A RIS3T reúne entidades estratégicas como a Agência Galega de Inovação, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte, o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galiza / Norte de Portugal. A parceria inclui ainda a Fundação Centro de Estudos Eurorregionais Galiza – Norte de Portugal, que representa a rede de universidades públicas do território.
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Viana do Castelo acolheu a apresentação do projeto MAISRIS3T, uma iniciativa estratégica desenhada para maximizar o impacto e a sustentabilidade da estratégia de especialização inteligente da Eurorregião. A estratégia dará continuidade a um histórico de cooperação institucional iniciado em 1983 com a criação da Comunidade de Trabalho, consolidando um espaço com 6,5 milhões de habitantes (3,8 milhões no Norte e 2,7 milhões na Galiza).
Com a implementação do projeto MAISRIS3T, a Galiza e o Norte reafirmam o seu compromisso histórico de esbater fronteiras, convertendo a cooperação científica e tecnológica no principal motor de coesão territorial, competitividade económica e qualidade de vida para a sua população.
Cinco áreas prioritárias de cooperação
A RIS3T visa consolidar um sistema de inovação capaz de gerar escala para o mercado global, atrair e reter talento e alavancar o investimento externo. Para responder a estes propósitos, a estratégia estruturou-se em cinco áreas prioritárias de cooperação.
Na indústria, mobilidade e energia, o foco incide na transição digital e na descarbonização das cadeias de valor, promovendo o desenvolvimento de energias renováveis e o reforço de setores avançados como a aeronáutica, a ferrovia e o transporte marítimo.
No setor agroalimentar, a aposta passa pelo desenvolvimento de soluções tecnológicas sustentáveis para a agricultura de precisão – com recurso a inteligência artificial e drones – pela gestão eficiente da água, pela economia circular e pela integração com o turismo.
A vertente de recursos e economia do mar foca-se na valorização biotecnológica dos recursos marinhos, na expansão da aquacultura sustentável, nas energias renováveis offshore e na inovação para a indústria naval na costa atlântica eurorregional.
Na área da Saúde e Bem-Estar, as prioridades passam por impulsionar a digitalização através da telemedicina e da inteligência artificial aplicada à medicina preventiva e de precisão. Em paralelo, aposta-se na retenção de talento científico, no desenvolvimento do termalismo e no reforço do setor farmacêutico e de dispositivos médicos.
Por fim, no turismo e indústrias criativas, procura-se a descentralização da oferta turística rumo aos territórios de baixa densidade, a promoção em rede dos recursos culturais e naturais, e a afirmação do destino nos segmentos de turismo de natureza, cultural, gastronómico e de vinhos.
Governação multinível e o plano de ação 2026-2028
Para operacionalizar no período de 2026 a 2028 esta visão partilhada — construída com o envolvimento de mais de 200 atores públicos e privados — o projeto MAISRIS3T desenhou uma estrutura de governação multinível. Esta inclui um Conselho de Inovação (orientação política), uma Comissão Técnica, um Comité Interdepartamental de Fundos e Apoios, além de peritos e plataformas colaborativas temáticas.
No eixo da governação e descoberta empreendedora, prevê-se a dinamização das estruturas de gestão e a criação de plataformas colaborativas temáticas com planos de ação orientados para resultados.
A vertente de acompanhamento e avaliação do ecossistema contempla o lançamento de um sistema de monitorização contínua, o mapeamento da rede de atores institucionais e a criação do Observatório de Inovação GNPA.
No âmbito da cultura da inovação transfronteiriça, as ações focam-se na organização de eventos temáticos, na dinamização de Infodays, na disponibilização de alertas de financiamento e na realização de encontros de matchmaking para impulsionar novos projetos conjuntos de I&D&I.
Para a divulgação e maximização do financiamento, o plano aposta na realização de estudos de benchmarking sobre boas práticas europeias e na adaptação de mecanismos inovadores como o VInnovate, visando facilitar a constituição de consórcios internacionais e a captação de fundos comunitários.
Por fim, no pilar de gestão, comunicação e transparência, assegura-se a coordenação técnica contínua e a implementação de um plano de comunicação transfronteiriço — com portal web e redes sociais — para garantir a visibilidade e o escrutínio público dos resultados alcançados
Forte indústria e desafios no investimento em I&D
A Eurorregião apresenta uma forte vocação industrial e exportadora, registando um saldo comercial positivo conjunto de 10 mil milhões de euros e taxas significativas de emprego industrial — 24,6% no Norte e 16,4% na Galiza. Contudo, os dados socioeconómicos evidenciam fragilidades estruturais.
O PIB per capita da Eurorregião permanece abaixo da média da União Europeia, fixando-se nos 84% na Galiza e nos 71% no Norte. Da mesma forma, o investimento em Investigação e Desenvolvimento face ao PIB – 1,96% no Norte e 1,24% na Galiza – ainda não atinge a meta média europeia de 2,2%.
No Regional Innovation Scoreboard 2025 da Comissão Europeia, Eurorregião é classificada como “moderadamente inovadora”, ocupando o Norte a 141.ª posição e a Galiza a 146.ª entre 241 regiões europeias.
A Galiza destaca-se pela forte qualificação populacional, inovação orientada ao mercado e baixos níveis de emissões atmosféricas. Em contrapartida, apresenta um reduzido número de patentes registadas e menor capacidade das PME para incorporar inovação.
O Norte sobressai pelo elevado desempenho em publicações científicas, registos de marcas/design e vendas de produtos inovadores. Todavia, mostra fragilidades na inovação colaborativa entre PME, menor despesa em inovação por empregado e atrasos na infraestrutura digital e produtividade do trabalho.
Imagem extraída da Fundação CEER





