Há algo que me incomoda profundamente sempre que caminho pelas ruas da cidade de Maputo: o lixo. Está por toda a parte. Não é preciso entrar nos bairros mais afastados para encontrar montes de resíduos. Basta circular pelas principais vias da cidade para deparar-se com lixo acumulado em diferentes pontos, muitas vezes junto a zonas residenciais, onde famílias são obrigadas a conviver diariamente com o mau cheiro e com um ambiente que está longe de ser digno.
É triste ver a capital do país apresentar uma imagem tão descuidada. Maputo deveria ser uma cidade limpa, organizada e convidativa, tanto para quem nela vive como para quem a visita. Em vez disso, há locais onde o lixo parece fazer parte da paisagem. O pior é que essa situação já dura há muito tempo e começa a dar a impressão de que nos estamos a habituar ao inaceitável.
Outro aspeto que chama a atenção é a escassez de caixotes de lixo. Em muitos percursos, podemos caminhar longas distâncias sem encontrar um único local adequado para depositar um simples papel ou uma garrafa plástica. É evidente que a educação cívica é importante e que cada cidadão deve fazer a sua parte. Mas também é verdade que é difícil exigir comportamentos corretos quando faltam condições básicas para que eles sejam praticados.
Quem vive perto de locais onde o lixo se acumula conhece bem o incómodo. O mau cheiro invade as casas, surgem moscas, mosquitos e outros focos de doenças. Não é apenas uma questão de estética. É uma questão de saúde, de qualidade de vida e de respeito pelos cidadãos.
Não consigo compreender como uma cidade pode conviver durante tanto tempo com um problema desta dimensão. Manter a cidade limpa faz parte das responsabilidades do município. Por isso, é inevitável perguntar: por que razão este problema continua sem uma solução visível? Será que nos resignámos a viver desta forma?
Também observo o trabalho de várias associações que afirmam defender o ambiente e a ação climática. Vejo, com frequência, iniciativas de limpeza das praias, que são importantes e merecem reconhecimento. Mas pergunto-me se não chegou o momento de essas organizações direcionarem também mais atenção para o lixo espalhado pela própria cidade. Afinal, proteger o ambiente começa igualmente pelas ruas onde vivemos todos os dias.
Escrevo estas palavras não para apontar culpados, mas porque acredito que Maputo merece mais. Merece ruas limpas, espaços públicos bem cuidados e uma gestão do saneamento urbano que esteja à altura de uma capital. Acima de tudo, merece que deixemos de encarar o lixo como parte da paisagem e passemos a tratá-lo como o problema urgente que realmente é.


