Dezoito anos depois, Cristóvão Tezza recebe o Prêmio Machado de Assis

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Em novembro de 2008, entrevistei Cristóvão Tezza para o Portal Galego da Língua1. Naquele momento, o escritor catarinense acabava de conquistar os principais prêmios literários do Brasil com O filho eterno e vivia o auge de um reconhecimento que ultrapassaria rapidamente as fronteiras do país.

Perguntado sobre a reforma ortográfica que entrou em vigor no Brasil em 2009, respondeu com uma frase que não perdeu sua validade até hoje: “A reforma ortográfica mantém politicamente os laços entre os países lusófonos”.

Dezoito anos depois, a Academia Brasileira de Letras atribui-lhe o Prêmio Machado de Assis 2026, a mais importante distinção concedida pela instituição pelo conjunto da obra. A entrega ocorrerá em 23 de julho, durante as comemorações dos 129 anos da Academia.

A escolha reconhece uma trajetória literária construída ao longo de mais de quatro décadas. Autor de romances fundamentais da literatura brasileira contemporânea, Tezza publicou obras como Trapo, Juliano Pavollini, Breve espaço entre cor e sombra, O fotógrafo, O professor e A tensão superficial do tempo.

Contudo, foi O filho eterno que o transformou num dos escritores brasileiros mais lidos e estudados do século XXI, acumulando prêmios, traduções e adaptações para o cinema e para o teatro.

Professor universitário durante muitos anos, ensaísta e cronista, Tezza construiu uma obra marcada pela reflexão sobre a linguagem, a memória e a identidade. Em 2025 publicou Visita ao pai (Companhia das Letras), livro que define como um “romance da memória”, construído a partir dos cadernos e correspondência deixados pelo seu pai.

A atribuição do Prêmio Machado de Assis encerra simbolicamente um percurso raro na literatura brasileira.

Se em 2008 o escritor já havia conquistado praticamente todos os grandes prêmios literários do país, em 2026 recebe o reconhecimento máximo da Academia Brasileira de Letras: uma distinção não por um livro específico, mas pela consistência de uma obra que atravessou gerações de leitores e consolidou o seu lugar entre os principais autores de língua portuguesa do nosso tempo.


  1. Portal Galego da Língua entrevista realizada em Cristovão Tezza: «A reforma ortográfica mantém politicamente os laços entre os países lusófonos» ↩︎

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