Projeto Kula decorre nas aulas de Português Língua de Acolhimento. Programa foca-se na superação de barreiras linguísticas utilizando diferentes formas de expressão para comunicar, partilhar experiências e desenvolver competências em língua portuguesa.
Redação |
Fomentar a inclusão ativa de migrantes residentes na Lourinhã é a premissa central do “Kula – Inclusão Pela Arte”. Através da intersecção entre arte e ensino de português, o projeto foca-se no reforço de competências e na igualdade de oportunidades que favorecem a inclusão social e profissional
Promovido pelo Município da Lourinhã com a Sombronautas, o Teatro Inefável e pela Escola da Lama, em parceria com o Centro Qualifica, o projeto Kula decorre nas aulas de Português Língua de Acolhimento. Destinado a migrantes da região, o programa foca-se na superação de barreiras linguísticas que limitam a autonomia e participação comunitária. Distanciando-se do ensino tradicional, a iniciativa propõe a arte como linguagem comum, oferecendo uma abordagem alternativa para promover a integração desta população residente no território.
Através de laboratórios artísticos, o Kula utiliza diferentes formas de expressão para comunicar, partilhar experiências e desenvolver competências na língua portuguesa. Aqui, a arte funciona como uma ponte para a aprendizagem, permitindo a criatividade e a interação multicultural de forma integrada.
As atividades desenvolvidas incluem a apresentação das culturas de origem e a criação de um mapa-mundo da turma. O percurso passa por jogos performativos de música e movimento, exploração sensorial e teatral de hábitos alimentares, e teatro de sombras com receitas. Serão ainda realizados exercícios de expressão corporal e poesia, a construção de um livro de memórias gastronómicas, a exploração de objetos e profissões, e simulações de entrevistas de emprego imaginárias.
O projeto Kula está inspirado no ritual de troca num extenso conjunto de ilhas da Nova Guiné descrito pelo antropólogo Bronisław Kasper Malinowskie. Esta troca simbólica visa consolidar laços de confiança, hospitalidade e cooperação entre os participantes.
A metodologia assenta em laboratórios artísticos — que abrangem teatro, música, escrita criativa, artes visuais, canto, movimento e poesia — transformando a aprendizagem do português num processo criativo e coletivo de partilha de experiências. O percurso encerrará com uma performance coletiva final, um espetáculo construído a partir de vivências reais que funde diferentes linguagens artísticas para a comunidade.

