Falece Augusto Fontám, ativista cultural e independentista galego

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Artista, cineasta, escritor e ex-presidente da associação Amigos da Cultura, Fontám foi um reconhecido ativista político e cultural da cidade de Ponte Vedra.

Redação |

O ativista Augusto Fontám faleceu no passado dia 31 de julho aos 72 anos deixando um extenso contributo nos âmbitos da cultura, das artes, da política e da defesa do território. Artista polifacético —cultivou a poesia, a pintura, o cinema, e a fotografia—, destacou-se pela sua militância política no independentismo, por uma sólida trajetória no associativismo e pela sua firme defesa da terra. Fontám definia-se a si próprio como “antipoeta” sendo autor de até onze livros de versos; praticava também a pintura, expondo as suas obras em Ponte Vedra, Portugal e Argentina.

Entre as suas múltiplas responsabilidades e envolvimentos, Fontám foi presidente da associação Amigos da Cultura de Ponte Vedra. A esta entidade deve-se, entre outras iniciativas, a instalação na cidade das esculturas dedicadas a Castelao e a Alexandre Bóveda. Da mesma forma, a sua ligação ao universo das letras e ao lusismo ficou patente no seu trabalho como colaborador em diversas publicações e meios de comunicação, entre os quais sobressai a revista literária galego-portuguesa Elipse.

Na última etapa da sua vida residia na freguesia de Louriçám, onde desenvolvia há anos outra das suas facetas mais singulares: a criação e preservação de raças avícolas autóctones. Nesta mesma localidade manteve vivo o seu espírito de luta ao liderar a associação A Pedra do Forjám.

Fontám num acção em defesa dos terrenos de Prazeres contra o comboio de ENCE – Fotografia Ramón Leiro 2001

Através desta entidade combateu e denunciou atentados ecológicos, destacando-se a sua luta contra plantações florestais que ameaçavam destruir a Junqueira da Gándara, em Ponte Moinhos. Fontám foi também um conhecido ativista contra a fábrica de celuloses ENCE e nomeadamente pela luta dos vizinhos dos Prazeres contra o comboio que cortava a praça comum do lugar deixando a igreja isolada do resto do espaço público.

Nascido em 1953, Fontám pertencia a uma geração que começou a lutar no franquismo e continuou no após-franquismo em chave soberanista. Empenhado em que a memória de luta política e de compromisso militante não se perdesse elaborou a trilogia documental «Aventar», onde repassou o ativismo independentista e a história da luta armada contemporânea através de testemunhos inéditos de militantes de base, desde as primeiras organizações clandestinas no franquismo até a dissolução do Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive (EGPGC) sem censuras nem filtros partidários.

Uma obra à que dedicou mais de duas décadas de investigação minuciosa e trabalho na sombra, sem dúvida,um dos seus projetos mais ambicioso, complexo e delicado. No seu perfil como documentarista, destaca-se também a média-metragem Fendorelha, para denunciar o feísmo urbanístico.

Augusto Fontám foi membro durante o franquismo da frente cultural do partido político UPG1 e posteriormente do AN-PG2. A UPG surgira em julho de 1964 em Compostela sendo que a ANPG foi criada em abril de 1975 na cidade do Porto (Portugal). Ambos partidos políticos foram duramente perseguidos durante o franquismo.

A legalização do AN-PG só aconteceria em março de 1978 após negociações com o governo central e mais de 40.000 assinaturas de apoio e a do UPG em junho desse mesmo ano. Nas cisões surgidas após a criação do quadro autónómico da transição, Fontám manteve-se no independentismo rupturista, militando posteriomente na FPG3 e na APU4. Na viragem do presente século foi membro dos partidos independentistas NÓS-UP e do Causa Galiza.


Fotografia principal: Novas da GalizaFontám e Arias Curto, uma das personagens principais da sua trilogia Aventar.

  1. União do Povo Galego, partido comunista de libertação nacional ↩︎
  2. Assembleia Nacional-Popular Galega, frente de partidos socialista e soberanista ↩︎
  3. Frente Popular Galega,partido de esquerda independentista, ↩︎
  4. Assembleia do Povo Unido, partido de esquerda independentista ↩︎
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