O espécime do grupo Ankylosauria apresenta atualmente cerca de 85% do seu esqueleto conservado. O dinossauro teria vivido na região há 155 milhões de anos.
Redação |
A Câmara Municipal de Torres Vedras anunciou que, desde o início de junho, decorrem escavações nas arribas do concelho focadas naquele que poderá ser o espécime de dinossauro mais completo alguma vez descoberto em Portugal. Os trabalhos estão a ser conduzidos por investigadores do Centro de Investigação em Paleobiologia e Paleoecologia da Sociedade de História Natural.
O início das descobertas remonta a junho de 2025, quando o investigador Luís Domingos identificou parte de um fémur projetado numa arriba junto à Foz do Rio Sizandro. O achado aconteceu no decorrer de trabalhos de prospeção para o Sistema de Informação Geográfica Aplicado à Paleontologia.
Durante o verão de 2025, foi realizada uma intervenção no local para avaliar o contexto da descoberta e aferir a presença de outros elementos esqueléticos preservados. Esta fase permitiu identificar cerca de 45 placas ósseas, um achado que confirmou tratar-se de um dinossauro pertencente ao grupo Ankylosauria.
Os anquilossauros eram dinossauros herbívoros e quadrúpedes caracterizados por uma robusta armadura de placas e espinhos ósseos na pele, que lhes protegia o dorso contra predadores. Com pernas curtas e um corpo atarracado, mantinham o centro de gravidade baixo. O grupo dividia-se em duas famílias. Enquanto os nodossaurídeos ostentavam espinhos proeminentes nos ombros, os anquilossaurídeos destacavam-se pela maça óssea na extremidade da cauda.


Estes dinossauros revelam-se extremamente raros, o que sugere uma presença populacional reduzida nos ecossistemas do Jurássico. Além disso, os fósseis conhecidos da espécie — como o Dracopelta zbyszewski, descoberto em 1957 na Praia da Assenta — datam apenas da fase terminal do Jurássico Superior. A presente descoberta ganha relevância ao situar-se numa camada estratigráfica ainda mais antiga.
Para retirar o fóssil, a equipa planeia extrair o dinossauro num único bloco, uma vez que o esqueleto de 2,50 metros se encontra articulado desde o crânio até à ponta da cauda. De acordo com os investigadores, o tamanho e o desenvolvimento ósseo indicam que se tratará de um indivíduo subadulto. Preservado na posição de barriga para baixo, o espécime apresenta atualmente cerca de 85% do seu esqueleto conservado. Contudo, os especialistas estimam que a completude real do corpo possa atingir perto dos 95%.
O anquilossauro descoberto em Torres Vedras situa-se no principal polo paleontológico de Portugal, a Bacia Lusitânica. Na Região do Oeste (Lourinhã, Torres Vedras, Peniche, Mafra e Sobral de Monte Agraço), sobressaem os restos ossos, dentes e embriões do Jurássico Superior de espécies como o Lourinhanosaurus e o Torvosaurus gurneyi, enquanto o Interior Centro (Pombal) se destaca pelos grandes saurópodes.
Outros lugares pre-históricos de destaque
A paleogeografia portuguesa do registo de pegadas tem nas Serras de Aire e Candeeiros um dos seus maiores expoentes. Rumo ao sul, a Península de Setúbal e a zona de Sintra (Cabo Espichel) exibem trilhos de icnofósseis gravados em falésias calcárias que abrangem do Jurássico Superior ao Cretácico Inferior. A fechar esta cronologia, a Orla Meridional, no Algarve, preserva marcas de atividade deixadas por ornitópodes e terópodes nas plataformas rochosas de Salema e Vila do Bispo.
Fotografias: Centro de Investigação em Paleobiologia e Paleoecologia da Sociedade de História Natural. | Imagens representativas dum nodossaurídeo Sauropelta edwardsorum e dum Ankylosaurus magniventris tiradas da Wikipedia,





