Projeto de espelhos espaciais para iluminação noturna

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Redação |

A Comissão Federal de Comunicações dos EUA autorizou, em 9 de junho, o lançamento do Eärendil-1, um satélite protótipo da empresa Reflect Orbital. O equipamento conta com um espelho de 18 metros de largura que atuará para refletir a luz solar para o lado escuro da Terra. Uma vez na órbita, o satélite desdobrará esse enorme refletor fino, o que permitirá iluminar uma área equivalente ao tamanho de 2400 campos de futebol.

Se for bem-sucedida, a empresa espera lançar mais 1.000 espelhos de satélite até o final de 2028, e um total de 50.000 até 2035. A maior deles mediria até 55 metros de largura e faria o equivalente a 100 luas cheias de volta à Terra, de acordo com as estimações publicadas pelo magazine inglês Dezeen.

A empresa, afirma que o seu protótipo poderia ser usado para refletir a luz solar em áreas escuras da Terra, permitindo que enormes instalações de painéis solares continuem gerando eletricidade após o anoitecer e forneçam iluminação durante emergências.

Após a divulgação da autorização, surgiram vozes críticas alertando para os impactos na saúde humana, na agricultura e na vida selvagem. Além dos prejuízos biológicos e ecológicos, os opositores apontam danos à astronomia, aumento da poluição luminosa, riscos para a aviação e o tráfego, além de brechas regulatórias e ceticismo técnico.

Entre os opositores estão cientistas que alertam que os feixes de luz podem ofuscar pilotos de avião, prejudicar a pesquisa astronómica e, sobretudo, desregular os ritmos circadianos. Essa interferência afetaria o crescimento e a germinação das plantas, além de comprometer a regulação do sono e a libertação hormonal em humanos e animais. Espécies noturnas e aves migratórias orientadas pelas estrelas correriam risco de desorientação por conta dos clarões celestes, com potenciais impactos inclusive sobre o fitoplâncton, principal grupo de organismos fotossintetizadores do planeta.

Entidades como a Sociedade Astronómica Americana e o Observatório Europeu do Sul manifestaram forte oposição ao projeto, classificando-o como uma ameaça real à observação do espaço. Os especialistas apontam que os reflexos intensos podem saturar ou danificar sensores óticos de alta sensibilidade em observatórios terrestres. Além disso, o trânsito de satélites luminosos no campo de visão compromete a captura de dados e imagens.

O projeto também desperta preocupações quanto aos riscos para a aviação e o tráfego terrestre. Há o receio de que o direcionamento dos feixes de luz solar ou os reflexos gerados durante as manobras de reposicionamento dos espelhos possam ofuscar temporariamente a visão de pilotos de avião e de motoristas em rodovias.

Além das questões ambientais e operacionais, a iniciativa enfrenta controvérsias regulatórias e ceticismo técnico. A Comissão Federal de Comunicações dos EUA aprovou a licença sob a justificativa de que a sua competência se restringe ao espectro de radiofrequência, não abrangendo a poluição por luz visível vinda do espaço. Paralelamente, físicos e engenheiros questionam a viabilidade económica do projeto, duvidando que espelhos em órbita baixa consigam emitir luz com duração e intensidade suficientes para tornar rentável a geração de energia solar.

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