World Press Photo destaca incêndios na Galiza e crises sociais no Brasil

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Redação |

A 69ª edição do concurso da World Press Photo de fotojornalismo e fotografia documental contemporânea premiou os fotojornalistas Brais Lorenzo, Priscila Ribeiro e Eduardo Anizelli por trabalhos sobre incêndios, moradia e violência policial.

Em Terra Queimada, Brais Lorenzo, documenta os incêndios severos que devastaram mais de 200 mil hectares na Galiza em 2025, impulsionados pela crise climática, despovoamento e manejo florestal inadequado, como o plantio de espécies inflamáveis. Na opinião do júri, as fotografias de Lorenzo, oferecem uma visão urgente e completa proporcionando proximidade às chamas. As imagens transmitem a escala dos incêndios, o vazio das aldeias despovoadas e a complexa interação entre paisagens em mudança, mudanças climáticas e o custo humano das decisões políticas locais.

Por sua parte, Um território de Esperança, de Priscila Ribeiro, examina a luta pela regularização da terra, o processo legal de conversão de posse informal em direitos de propriedade. O trabalho de Ribeiro foca-se na ocupação do Parque dos Lagos, em Colombo, onde 200 famílias vivem sem acesso oficial à água, esgoto ou eletricidade. Na opinião do júri, a imagem premiada aborda os desafios habitacionais no Brasil enquanto celebra temas universais de família, comunidade e amor. Por meio de um retrato caloroso e íntimo de uma avó cuidando dos netos, a fotografia premiada transmite alegria, união e resiliência familiar.

Em Aquelas que carregam os mortos, Eduardo Anizelli documenta uma grande operação policial contra o sindicato criminoso Comando Vermelho no Rio de Janeiro no outono de 2025. Dos 122 mortos nas favelas do Complexo do Alemão e Penha, a grande maioria eram afro-brasileiros. No rescaldo, as autoridades não enviaram equipes forenses, forçando a comunidade a suportar o peso físico e emocional de carregar seus próprios mortos. Na opinião do júri, as imagens de Anizelli transmitem a magnitude do incidente, incluindo o que ocorreu ao longo de dois dias nas montanhas e favelas e o impacto na comunidade, ao mesmo tempo em que destacam a corrupção policial e o uso indiscriminado da força.

O concurso da World Press Photo mantém uma estrutura sem hierarquia entre os premiados. Aberta a fotojornalistas e documentalistas gráficos, a competição contempla diferentes três formatos: registos únicos, ensaios fotográficos e projetos de longa duração sobre temas persistentes. Os 42 vencedores foram escolhidos entre 57.376 imagens, enviadas por 3.747 profissionais de 140 estados.

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