pessoas por trás duma faixa com legenda "O mel importado arruína as nossas vidas"

Apicultores galegos contra o mel fraudulento

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Redação |

Sob o lema “O mel importado arruína as nossas vidas”, produtores concentraram-se em Lugo e Ourense para denunciar a entrada massiva de produto estrangeiro a preços abaixo do custo de produção.

Centenas de apicultores e apicultoras saíram à rua na passadas terça-feira, para alertar sobre a crise profunda que atravessa o setor. As mobilizações, convocadas pelo  Sindicato Labrego Galego, a Asociación Apícola Abellas Nais, a Asociación de Apicultura Serra da Carba, a Asociación de Persoas Consumidoras (Acuga) e a Agrupación Apícola da Galiza, visam denunciar o impacto das importações massivas e a falta de transparência na rotulagem do mel.

Os manifestantes defendem que o setor está a ser asfixiado por práticas de dumping, com mel importado a chegar ao mercado a cerca de 1,80 €/kg, enquanto o custo de produção para um apicultor local não baixa dos 5 €/kg.

Um dos principais alvos de crítica é o novo tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Segundo os produtores, este acordo irá agravar a situação ao permitir a entrada de 45.000 toneladas anuais de mel isentas de taxas alfandegárias.

“O Mercosul vai legalizar práticas fraudulentas”, afirmou Brais Álvarez, Secretário de Ação Sindical do SLG, durante o protesto em Lugo. Álvarez denunciou que as grandes distribuidoras estão a inundar o mercado com mel de baixa qualidade, muitas vezes misturado com xaropes de frutose e ultrafiltrado para esconder a sua origem real, fazendo-o passar por mel europeu.

Em Ourense, a apicultora Inés Mirás — cujo projeto “O Mel da Inés” foi recentemente premiado com uma medalha de ouro nos London Honey Awards 2025 — promoveu uma prova cega para ajudar os consumidores a distinguir o mel galego autêntico dos produtos importados.

“É muito difícil competir contra produtos que vêm de fora a menos de dois euros, quando para o nosso projeto ser rentável temos de vender a pelo menos 10 euros”, explicou Mirás, sublinhando que o mel importado percorre, em média, 4.000 km até chegar à mesa do consumidor, com a consequente pegada ecológica.

De acordo com os dados apresentados pelas organizações, cerca de 51% do mel analisado nas fronteiras do estado espanhol pela UE apresentou suspeitas de fraude. (diluição com xaropes ou falsificação de origem).

A Galiza produz anualmente cerca de 3.000 toneladas de mel, quantidade que, somada à produção do restante estado espanhol (33.000 t), seria suficiente para o consumo doméstico.
Apesar da descida dos preços do mel industrial, o consumo baixou 8% no último ano, o que demonstra que o preço baixo não é garantia de sucesso para o setor.

As associações exigem uma Lei da Cadeia Alimentar que proteja os produtores, garantindo salários dignos e a cobertura dos custos de produção, além de políticas que favoreçam o comércio de proximidade e a preservação da biodiversidade.

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