pescador a segurar armadilha para a lampreia por cima da água antes de a colocar

Abundância de lampreia não cai nas redes

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Redação |

O arranque da temporada da lampreia no Minho e no Lima está a ser marcado pela chuva persistente. A atual meteorologia garante o caudal de água doce necessário para atrair a espécie para o interior dos rios, porém, a violência das tempestades e o estado dos caudais estão a impedir os pescadores de exercerem a sua atividade. O setor fala numa crise não por escassez de recurso, mas por impossibilidade técnica e de segurança.

Em entrevista à Agência Lusa, Augusto Porto, presidente da Associação de Pescadores do Rio Minho, classificou o momento atual como crítico. Segundo o dirigente, as condições meteorológicas adversas impedem a faina há cerca de um mês e meio, colocando em risco o sustento de centenas de famílias que dependem em parte da lampreia.

O problema divide-se em duas frentes: na zona da foz, a agitação marítima impossibilita a saída das embarcações; já a montante, a força da corrente arrasta detritos que destroem as redes e tornam o seu lançamento impraticável. Das cerca de 150 embarcações portuguesas e galegas que operam, a maioria permanece imobilizada. Face a este cenário, os pescadores já solicitaram o prolongamento do prazo de captura (que termina a 31 de abril) por mais uma semana.

No Lima, onde operam cerca de 60 embarcações, as capturas têm decorrido com maior regularidade em comparação com o ano anterior, que foi considerado o mais fraco de sempre. Fernando Ferreira, presidente da associação local, nota que as artes de pesca utilizadas no Lima permitem enfrentar melhor as correntes, e sublinha que as intempéries prejudicam mais os pescadores do que as lampreias.

Com o mês de fevereiro a meio e os mercados gastronómicos a aguardarem a lampreia que é rei na mesa do Minho, a climatologia impõe um intervalo forçado para os pescadores do Minho português e galego.

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