Catedral de Tui

Tui e Braga reforçarão laços no VIII centenário da catedral tudense

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A devoção mariana será também incentivada durante o Ano Jubilar, com a Diocese a programar para junho de 2026 uma peregrinação da imagem de Nossa Senhora da Franqueira no templo catedralício.

Redação |

A Diocese de Tui-Vigo prepara-se para viver um momento de profundo significado histórico, social e patrimonial. No 30 de novembro, será inaugurado o Ano Jubilar em celebração do VIII Centenário da Catedral de Santa Maria de Tui, presidido pelo Arcebispo de Santiago de Compostela. Concelebrarão o Bispo diocesano de Tui-Vigo e o Arcebispo metropolitano de Braga, junto com prelados de Santiago de Compostela.

Um dos momentos mais esperados é a abertura do Altar das Relíquias. O deão anunciou que o Altar – que só é aberto para a festividade do São Telmo, padroeiro da diocese e dos marinheiros – estará aberto nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro.

As celebrações visam também reforçar o papel da Catedral de Tui como referência cultural. Entre os projetos mais ambiciosos encontra-se a inauguração do TUDE. Museu Catedralício Diocesano, prevista para finais de 2026. O museu irá unificar as coleções diocesana e catedralícia, abrindo novos espaços, incluindo salas reabilitadas no palácio episcopal e uma entrada pela Praça de São Fernando.

Além disso, a Diocese de Tui-Vigo está a trabalhar com as de Braga e Viana do Castelo, bem como com a Arquidiocese de Santiago de Compostela, para criar a exposição itinerante “Tui-Valença. De Braga a Compostela”. Este projeto pretende sublinhar a unidade espiritual e histórica entre a Galiza e o Norte de Portugal, reforçando o papel da Catedral de Tui como marco do Caminho Português de Santiago.

Outras ações incluem a colocação de uma nova vitral comemorativa e a realização das XLIV Jornadas Nacionais de Património, confirmando a Catedral de Tui como um dos epicentros culturais do Minho em 2026.

A diocese na história

A diocese terá surgido nalgum momento entre os séculos IV e VI, como sufragânea da Arquidiocese de Braga. No entanto, a primeira menção documentada da Diocese de Tui data do II Concílio de Braga (572), quando a demarcação territorial foi oficializada. Dos séculos VI até ao XIV, abrangia a região entre a ria de Vigo e o rio Lima e desde a costa do Atlântico até a serra do Leboreiro.

A independência do Condado Portucalense do Reino da Galiza resultou na divisão da diocese pelo rio Minho, passando, em 1120, a integrar a província eclesiástica de Santiago de Compostela.

A fronteira sul foi delimitada no século XIV devido ao Cisma do Ocidente: os clérigos com jurisdição no Condado apoiavam a legitimidade do Papa Urbano VI (Roma) e o bispo de Tui e os cónegos no Reino apoiavam o Papa Clemente VII (Avinhão).

Esta divergência levou à separação em 1452, quando a Colegiada de Valença foi anexada à Diocese de Ceuta e em 1514, essa área foi transferida para a Arquidiocese de Braga, perdendo a Diocese de Tui a jurisdição entre o Minho e o Lima.

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