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A atribuição do Prémio Nobel da Paz à venezuelana María Corina Machado gerou uma onda de reações mundiais divididas entre a celebração e fortes críticas que questionam a natureza e a validade da distinção. No comunicado oficial, o Comité Norueguês do Nobel justificou o galardão “pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e pela sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”. Na opinião do Comité, a premiada ”atende a todos os três critérios estabelecidos no testamento de Alfred Nobel para a seleção de um laureado com o Prémio da Paz. Ela uniu a oposição de seu país. Ela nunca vacilou em resistir à militarização da sociedade venezuelana. Ela tem sido firme no seu apoio a uma transição pacífica para a democracia”. Contudo, esta escolha não passou incólume ao escrutínio internacional, suscitando debates sobre a alegada politização do prémio e os critérios de concessão.
As críticas estenderam-se a figuras políticas de países como a Colômbia, onde o Presidente Gustavo Petro questionou Machado, focando-se na sua relação com figuras internacionais controversas e o seu apoio a sanções económicas contra a Venezuela. Outra voz crítica foi a do também Prémio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel que, numa carta aberta, escreveu: “Corina, eu pergunto-lhe: por que pediu aos EUA para invadir a Venezuela? Ao receber a notícia de que lhe concederam o Prémio Nobel da Paz, você dedicou-o a Trump. O agressor do seu país, mentindo e acusando a Venezuela de ser traficante de drogas, uma mentira semelhante à de George Bush, que acusou Saddam Hussein de ter «armas de destruição em massa».” O presidente hondurenho Manuel Zelaya Rosales, também se juntou às críticas, declarando que “Conceder o prémio a uma golpista, aliada das elites financeiras e de interesses estrangeiros, é transformar o símbolo da paz em um instrumento do colonialismo moderno“. Na Europa, o jornalista galego Ignacio Ramonet, diretor de Le Monde Diplomatique, afirmou que “Conceder o Prémio Nobel da Paz a alguém que constantemente defende invasões militares, golpes de estado, revoltas e guerras é mais uma aberração da atual desordem internacional“.
Alguns comentadores afirmaram que o prémio reforça a tendência de laurear figuras políticas alinhadas com o Ocidente, colocando a política acima da paz. A estas vozes, unem-se especialistas e analistas em todo o mundo que questionaram o alinhamento ideológico da premiada, nomeadamente o seu apoio declarado ao governo de Israel, e a sua defesa das sanções impostas por Donald Trump, alegando que tais posições contrariam o espírito de paz e a solidariedade internacional.

