Igreja Cebreiro

ROTEIRO CIRCULAR CHAVES – PEDRAFITA DO CEBREIRO EM DUAS, TRÊS OU QUATRO RODAS

   Tempo de leitura: 9 minutos
Igreja Cebreiro

Prepare-se para uma jornada épica, onde a história milenar se entrelaça com paisagens de cortar a respiração e sabores autênticos. Esta rota circular de 3 dias, que parte de Chaves e se aventura pelas terras Ourensãs até Pedrafita do Cebreiro, é um convite irrecusável para os amantes das viagens de carro ou mota que procuram mais do que apenas quilómetros – procuram experiências, cultura e uma gastronomia que conforta a alma. De castelos medievais a aldeias de xisto, de miradouros vertiginosos a iguarias locais, cada curva desta viagem promete uma nova descoberta. Aperte o capacete, ligue o motor e deixe-se levar por este roteiro pensado para despertar todos os seus sentidos.

Dia 1: De Chaves a Castro Caldelas – Onde a História e a Natureza se Encontram

Distância: Aproximadamente 160 km
Pernoita: Castro Caldelas

Roteiro dia 1

O primeiro dia desta aventura começa na histórica cidade de Chaves, em Trás-os-Montes. Conhecida pelas suas águas termais e pela rica herança romana, Chaves é o ponto de partida perfeito para aquecer os motores. Não deixe de atravessar a imponente Ponte de Trajano, um testemunho da engenharia romana que ainda hoje liga as duas margens do rio Tâmega. Explore o Castelo de Chaves e a sua majestosa Torre de Menagem, que oferece vistas panorâmicas sobre a cidade e os vales circundantes. Um passeio pelas ruas do centro histórico revela a autenticidade flaviense, com as suas casas tradicionais e a atmosfera acolhedora.

Imagem de Chaves

Seguindo para sul, a rota leva-nos a Boticas, uma vila que se destaca pelo seu património cultural e natural. O Centro de Artes Nadir Afonso é uma paragem obrigatória para os apreciadores de arte, enquanto o Boticas Parque – Natureza e Biodiversidade oferece um espaço ideal para uma pausa e um café, rodeado pela tranquilidade da natureza. A região é também famosa pelo seu “Vinho dos Mortos”, uma curiosidade local que vale a pena descobrir.

Continuamos a viagem até Montalegre, uma vila transmontana com um forte cunho medieval. O imponente Castelo de Montalegre domina a paisagem, convidando a uma visita que nos transporta para tempos de lendas e batalhas. O Ecomuseu de Barroso é um excelente local para mergulhar na cultura e tradições desta região. Para os amantes de paisagens deslumbrantes, a Barragem do Alto Rabagão oferece um miradouro fantástico, ideal para capturar fotografias memoráveis.

A transição para a faz-se pela Serra do Larouco, um dos pontos mais altos de Portugal. A estrada de montanha panorâmica proporciona uma experiência de condução emocionante, com vistas que se estendem até onde a vista alcança. É um local de beleza selvagem, onde a natureza se mostra em todo o seu esplendor.

O destino final do dia é Castro Caldelas, uma encantadora vila da comarca de Trives aninhada na Ribeira Sacra. O seu bem preservado Castelo de Castro Caldelas é a joia da coroa, oferecendo uma viagem no tempo e vistas espetaculares. Percorra as ruas de pedra do centro histórico e deixe-se seduzir pelo ambiente medieval. Castro Caldelas é também um excelente local para desfrutar da gastronomia da região, com destaque para os vinhos da Ribeira Sacra e as carnes locais.

Castro Caldelas

Não deixe de provar a Bica Mantecada, um bolo tradicional da região, e a Vitela Galega, muitas vezes estufada com vinho Mencia. Os queijos e os vinhos da Ribeira Sacra são também imperdíveis.

Bica Mantecada

Dia 2: De Castro Caldelas a Pedrafita do Cebreiro – Pelos Caminhos da Ribeira Sacra e do Caminho de Santiago

Distância: Aproximadamente 120 km
Pernoita: Pedrafita do Cebreiro, Galiza

Roteiro dia 2

O segundo dia da nossa rota mergulha-nos nas paisagens dramáticas da Ribeira Sacra e na mística do Caminho de Santiago. Partindo de Castro Caldelas, a estrada serpenteia por vales profundos e encostas íngremes, onde os socalcos de vinha desenham a paisagem.

A primeira paragem é em Parada de Sil, um local privilegiado para admirar os espetaculares Canhões do Sil. O Miradouro dos Balcões de Madrid oferece uma vista deslumbrante sobre o rio Sil, que esculpiu profundos vales ao longo de milénios. É um cenário de tirar o fôlego, perfeito para uma pausa e para absorver a grandiosidade da natureza.

Desfiladeiro do Rio Sil

Continuamos em direção a Monforte de Lemos, uma cidade com um rico passado ligado à nobreza galega. O imponente Mosteiro de San Vicente do Pino e a Torre da Homenagem são os seus ex-libris, testemunhos de uma história gloriosa. Explore o centro histórico e sinta a atmosfera medieval que ainda paira no ar.

De Monforte, a rota leva-nos a Samos, uma pequena localidade que respira a essência do Caminho de Santiago. O Mosteiro de Samos, um dos maiores e mais antigos da Península Ibérica, é um local de grande beleza e espiritualidade. A presença constante de peregrinos confere a Samos uma energia única e uma cultura rica em histórias e encontros.

O ponto alto do dia é a chegada a Pedrafita do Cebreiro, uma aldeia emblemática situada no coração dos Montes de León e porta de entrada para a Galiza no Caminho Francês de Santiago. Aqui, o tempo parece ter parado. As famosas Palhoças, casas circulares pré-romanas com telhados de colmo, são um testemunho vivo de uma arquitetura ancestral e única na Península Ibérica. Visite a Igreja de Santa Maria A Real do Cebreiro, ligada à lenda do Santo Graal galego, e desfrute das vistas panorâmicas sobre as montanhas circundantes a partir do Miradouro Alto do Poio, um marco emblemático do Caminho.

Em Pedrafita do Cebreiro, a gastronomia é robusta e reconfortante, ideal para repor energias. Não deixe de provar o famoso Queijo do Cebreiro, um queijo fresco com denominação de origem protegida. O Cozido Galego, com os seus produtos derivados do porco, e a Empanada Galega são também imperdíveis. Para os amantes de carne, a Vitela Galega é uma aposta segura, muitas vezes servida como costeleta ou churrasco. E claro, o Polvo à Feira é um clássico que não pode faltar.

Dia 3: De Pedrafita do Cebreiro a Chaves – A Magia da Serra do Courel e o Regresso à Casa

Distância: Aproximadamente 180 km
Pernoita: Regresso a Chaves

Roteiro dia 3

O terceiro e último dia desta aventura promete paisagens ainda mais espetaculares e uma imersão profunda na natureza selvagem da Serra do Courel. Deixamos Pedrafita do Cebreiro para trás e embrenhamo-nos na deslumbrante serra, um verdadeiro paraíso para os viajantes. Esta serra, uma das áreas naturais mais bonitas e selvagens da Galiza, é caracterizada por estradas sinuosas, montanhas cobertas de castanheiros, aldeias de xisto e vales profundos. A condução aqui é mais lenta, com curvas apertadas, mas a beleza do cenário compensa cada quilómetro.

Atravessaremos aldeias pitorescas como Seoane do Courel, com as suas vistas magníficas sobre o vale do Lor e o Centro de Interpretação da Natureza do Courel, e Folgoso do Courel, uma vila encantadora que serve de base para caminhadas e trilhos. A região é rica em fósseis e geologia, oferecendo uma perspetiva única sobre a história da Terra. É um convite a parar, respirar o ar puro e apreciar a tranquilidade.

Seguimos para Quiroga, uma cidade à beira do rio Sil, onde a paisagem se torna mais quente e vinícola. O Museu da Geologia de Quiroga é um ponto de interesse fascinante, com exposições sobre a geologia do Courel e a riqueza mineral da região. Não deixe de explorar as Rutas das Covas, adegas tradicionais escavadas na rocha, que testemunham a antiga tradição vinícola local. Quiroga é também um excelente local para desfrutar da gastronomia com destaque para o polvo à galega e o cabrito.

A próxima paragem é Verim, uma cidade com um imponente Castelo de Monterrei, que oferece vistas deslumbrantes sobre a os vales circundantes. A região é conhecida pela sua produção de vinho com Denominação de Origem Monterrei, e as suas águas termais, tal como em Chaves, são um convite ao relaxamento. Um passeio pelo centro histórico de Verim revela a sua atmosfera simpática, com cafés e pastelarias convidativas.

Finalmente, iniciamos o regresso a Chaves, o ponto de partida desta inesquecível rota. A entrada em Portugal pode ser feita por uma estrada secundária pitoresca (N-532) ou pela mais rápida A-24, dependendo da preferência. A chegada a Chaves é o culminar de uma viagem repleta de descobertas, e o momento perfeito para celebrar com um jantar tradicional e um passeio relaxante junto ao rio Tâmega ou nas famosas termas.

O que Provar em Chaves:
A gastronomia de Chaves é rica e variada. Além do famoso Pastel de Chaves (com Indicação Geográfica Protegida), não pode deixar de provar o Folar de Chaves, o Presunto de Chaves e os enchidos (alheira, linguiça, chouriça de cabaça, salpicão). Pratos como o Cozido à Transmontana, a Feijoada à Transmontana e a Posta Barrosã são verdadeiras iguarias que representam a alma da cozinha transmontana.

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