Acampamento em Defesa do Barroso: Resistência comunitária e ambiental

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Redação |

Entre os dias 6 e 10 de agosto, Covas do Barroso, no concelho de Boticas, acolheu a sexta edição do Acampamento em Defesa do Barroso. Esta iniciativa serviu de ponto de encontro para habitantes, movimentos cívicos, associações e cidadãos empenhados no desenvolvimento sustentável e na preservação do território.

O encontro reuniu mais de 700 pessoas numa mobilização marcada pela união comunitária. A programação incluiu conversas, workshops, cinema, espetáculos e momentos musicais. O ponto alto do evento foi a ação de protesto pelos caminhos de Covas de Barroso contra a exploração mineira a céu aberto na região. A mensagem que sintetizou o propósito do acampamento e que se firmou como símbolo do movimento foi “O Barroso não se vende, ama-se e defende-se”.

O acampamento deu lugar central à resistência feminina contra a mineração, ouvindo agricultoras e moradoras locais que ligam a defesa ambiental à preservação comunitária, à tradição agrícola, à memória familiar e à soberania territorial.

Sob o lema e a interrogação “Onde está a luta neste momento?”, outro dos momentos de debate juntou vários movimentos e representantes territoriais. Em análise estiveram as pretensões mineiras projetadas para a Borralha, Morgade e Covas do Barroso.

O debate incluiu as barreiras no acesso a informação transparente e o recurso aos mecanismos administrativos e judiciais para contestar os projetos. Questões como a preservação da água, a sustentabilidade agrícola, a gestão do território, o património, a participação democrática e a viabilidade das comunidades rurais mantiveram-se no centro das intervenções.

A necessidade de criar e fortalecer redes de solidariedade noutros pontos foi também expressa pelos participantes, propondo a dinamização de núcleos urbanos com capacidade para informar, mobilizar apoio e solidarizar-se ativamente com as comunidades rurais.

A oposição ao projeto da Savannah Resources intensificou-se entre final de 2018 e início de 2019, após o conhecimento das sondagens. A contestação estruturou-se em 2019 com a fundação da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, que tem liderado ações judiciais, bloqueios de terrenos e escritórios, vigílias e acampamentos anuais.

A Savannah Resources Plc, sediada em Londres, projeta implementar uma exploração de espodumena a céu aberto no Barroso, considerado um dos maiores jazigos do mineral na Europa. A intervenção prevê lavras de corte aberto, unidades de processamento e depósitos de resíduos para abastecer a cadeia europeia de baterias para veículos elétricos.

Segundo a Forbes Portugal, o empresário Mário Ferreira — conhecido pela Douro Azul e pelo grupo Plural/TVI — tornou-se um dos maiores acionistas individuais da empresa, detendo cerca de 10% do capital social. Paralelamente, dados avançados pelo ECO e pelo Jornal Económico, com base em relatórios da própria mineradora, indicam que o capital detido por pequenos investidores do Norte e da região de Boticas, superou 7,5%.

Para consolidar a sua inserção, a empresa recorreu a aconselhamento e mediação estratégica. Trabalhos de investigação do Expresso, Jornal de Negócios, Público e RTP revelaram a contratação de figuras do panorama político, designadamente os ex-ministros Luís Amado (PS, pastas dos Negócios Estrangeiros e Defesa) e Luís Mira Amaral (PSD, Indústria e Energia).
A direção executiva da Savannah está a cargo de Emanuel Proença. Antes de ingressar na empresa, o gestor acumulou experiência no Grupo Piedade (setor da cortiça) e na área de energia da Prio (Prio Bio e Prio Supply).


Fotografia: De Norte a sul

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