Redação
O setor vitivinícola vive uma situação extraordinária devido a que a vindima de 2026 arrancou em meados de agosto, com um adiantamento de semanas em relação aos calendários tradicionais. As altas temperaturas e a escassez de chuva durante o ciclo estival obrigou a ativar as primeiras vindimas para preservar a qualidade do fruto.
A norte do Minho, a campanha passou a ser catalogada como a mais precoce desde que há registos. Na terceira semana agosto, as cinco denominações de origem demarcadas já iniciaram as colheitas de maneira generalizada.
Nas Rias Baixas, adegas de destaque do Rosal e do Salnês deram o arranque inicial a meio do mês, com semanas de margem sobre os prazos habituais, impulsionadas pela evolução ótima da maturação do alvarinho.
O cenário de vindimas precoces repete-se no interior e nas comarcas meridionais da Galiza. É o caso de parcelas selecionadas de godelho e mencia em Valdeorras e na Ribeira Sacra, que inauguraram colheitas desafiando a lógica tradicional de setembro. Em simultâneo, nas terras de Monte Rei e do Ribeiro também já iniciaram oficialmente as colheitas.
As parcelas mais expostas de vinho verde, especialmente em Monção e Melgaço, e as sub-regiões do Douro, estruturam já os primeiros cortes e experiências de enoturismo vinculadas à entrada da uva nas adegas, combinando a vertente produtiva com os eventos.
As regiões do centro e do sul também registaram adiantamentos notáveis, de tal modo que no Alentejo algumas herdades e produtores de referência iniciaram os trabalhos de campo de maneira excecional.
Este adiantamento da vindima põe em manifesto a adaptação que o setor deve realizar em frente à mudança climática. Os enólogos, Conselhos Reguladores e Comissões Vitivinícolas Regionais destacam que, apesar do stress térmico e da necessidade de um ajuste rigoroso na recolha, o estado sanitário da uva manteve-se excelente. Por isso, o principal desafio atual reside em coordenar com eficácia a logística de adega e a contratação de pessoal. Afinal, este cenário inédito prova que a maturação ideal da uva já não espera pelo calendário tradicional de outono.
As previsões do setor apontam para um volume global que rondará os 81 milhões de quilos de uva na Galiza, de acordo com os dados apontados pelos cinco conselhos reguladores. Em paralelo, de acordo com as previsões oficiais divulgadas pelo Instituto da Vinha e do Vinho, a produção nas catorze principais regiões vitivinícolas de Portugal deverá atingir cerca de 6,7 milhões de hectolitros de vinho, o que representa um aumento de 12% em relação à campanha anterior. Apesar desta recuperação, o volume português permanecerá ainda cerca de 4% abaixo da média das últimas cinco campanhas vitivinícolas.





