Papa faz apelo global diante dos avanços da IA

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Leão XIV publicou a sua primeira encíclica intitulada “Magnifica humanitas”. O documento aborda diretamente os impactos da tecnologia e traz como temas centrais “a salvaguarda da pessoa humana” e a defesa da paz apelando à prudência e corresponsabilidade .

Redação |

Em sua primeira encíclica, quem tinha nascido como Robert Prevost traçou diretrizes da igreja diante do avanço tecnológico. O documento, faz um apelo global para a preservação de uma “magnífica humanidade habitada por Deus“, estabelecendo como pilares a defesa da verdade, a dignidade do trabalho, a justiça social e a paz na era digital.

Um dos pontos mais contundentes do texto aborda o uso militar da tecnologia. O Papa defende o “desarmamento da inteligência artificial” e propõe a superação da teoria da “guerra justa” mediante o fortalecimento do diálogo e do multilateralismo.

O texto de Leão XIV pondera que a tecnologia não deve ser vista como uma “força antagónica em relação à pessoa” ou “um mal em si mesma“. Contudo, faz um alerta: a IA “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam“. Diante desse cenário, o documento apela para que a sociedade global se empenhe em “construir o bem” e “permanecer humanos“, propondo como saídas uma postura de “corresponsabilidade corajosa” diante do avanço tecnológico.

O Papa traçou também um paralelo histórico ao afirmar que, a exemplo do que ocorreu com a energia nuclear no século passado, a inteligência artificial “requer hoje que seja desarmada“. Segundo o pontífice, ambas as tecnologias devem ser voltadas para o “serviço de todos e do bem comum” e enfatiza que “as decisões sobre a tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade“.

A encíclica defende também uma governança global e inclusiva da tecnologia, em um apelo à união entre nações ricas e pobres, instituições e indivíduos. O documenta critica o monopólio tecnológico, posicionando-se contra a concentração de poder e da propriedade de dados nas mãos de um pequeno grupo de empresas privadas.

Para o pontífice, “apelar à prudência, a auditorias rigorosas e, por vezes, a um abrandamento na adoção da IA não significa ser contra o progresso“. Ele alertou que essa intervenção se tornou urgente devido ao profundo desequilíbrio entre a velocidade com que a tecnologia avança e a capacidade real das sociedades de regulá-la e governá-la.

O documento alerta que “invocar genericamente a ética” ou propor um “alinhamento” superficial com valores humanos não é suficiente para regulamentar a inteligência artificial. O pontífice advertiu que, sem um escrutínio político rigoroso e a participação ativa da sociedade, o código moral dessas tecnologias será ditado por um número reduzido de empresas que dominam os dados, as infraestruturas e a capacidade computacional global.
A encíclica alerta também sobre os impactos da tecnologia na infância e na juventude. O texto adverte para os riscos da “exposição precoce e não supervisionada” de crianças a smartphones e redes sociais, apontando para uma vulnerabilidade crescente dos mais novos.

O documento denuncia o aumento da exposição a conteúdos violentos, sexualizados ou manipulados por inteligência artificial. O texto faz ainda um alerta crítico sobre o avanço do assédio, exploração e ciberbullying, dinâmicas que, segundo o Papa, têm sido diretamente impulsionadas por algoritmos e pela proliferação de perfis falsos.

Para conter estes riscos, a Magnifica humanitas defende a adoção de medidas legislativas que imponham limites de idade, responsabilizem as plataformas digitais e protejam crianças e jovens “contra todas as formas de exploração e violência sexual” online. Contudo, o pontífice ressaltou que a regulação jurídica deve caminhar lado a lado com a formação, afirmando que os Estados e as famílias precisam apostar urgentemente em uma educação voltada para o uso crítico das tecnologias.

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