Profissionais contestam falta de autonomia e critérios no CGAC

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Centro Galego de Arte Contemporânea é uma instituição de referência para a difusão e conservação. O edifício, inaugurado em Compostela em 1993 foi projetado por Álvaro Siza

Redação |

O Centro Galego de Arte Contemporânea está no centro de uma forte contestação que está a abalar o panorama cultural na Galiza. A recente nomeação da nova diretora da instituição gerou uma onda de indignação no setor, culminando num manifesto que já reúne a assinatura de mais de 1.500 profissionais das artes e da cultura.

A decisão do Governo galego de nomear Eva López Tarrío como nova diretora do CGAC está a desencadear uma forte contestação no setor cultural. Os profissionais da área consideram que o perfil profissional da nomeada é insuficiente para liderar uma instituição desta relevância e exigem a abertura de um período de reflexão sobre o processo.

A contestação à escolha do Governo galego ganhou uma dimensão nacional, unindo as principais frentes académicas e profissionais do setor. Entre as entidades que já emitiram comunicados oficiais contra a nomeação estão o Departamento de História da Arte da Universidade de Santiago de Compostela, a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Vigo, a Associação Galega de Profissionais da Gestão Cultural e a associação galega A Colectiva. A estes juntam-se ainda estruturas de peso no estado espanhol, como a Mesa Sectorial da Arte Contemporânea, o Consórcio de Galerias de Arte Contemporânea, a federação estatal de associações de profissionais da gestão cultural, o Instituto de Arte Contemporânea, a Associação de Mulheres nas Artes Visuais, ou a União de Artistas Contemporâneos de Espanha.

Para além destes posicionamentos e comunicados institucionais soma-se o peso de um protesto civil, a petição “SOS CGAC”. A iniciativa, lançada pela Associação Cultural Vegliota, já recolheu mais de 1.500 assinaturas de cidadãos e profissionais que exigem formalmente ao Governo galego a anulação do processo de nomeação em curso.

No comunicado emitido pela Associação Vegliota, a denúncia é categórica: o museu transformou-se numa instituição incapaz de acolher um programa ambicioso e competente que responda, com eficácia, à complexidade da criação artística atual. Apontando o dedo às origens do problema, o coletivo identifica como causas principais o desleixo por parte das sucessivas direções e as constantes ingerências administrativas e políticas.

Em entrevista ao jornal O Salto, Ánia González, advogada e especialista em Teoria Crítica e Estudos Museológicos, explica que o governo galego pretendeu escolher a nova direção por livre designação. Esta nomeação terá dependido —afirma— exclusivamente da vontade do Conselheiro da Cultura, sem júri profissional ou critérios objetivos.

De acordo com a advogada, a nova diretora terá a categoria de subdiretora-geral, ficando legalmente submetida às instruções do atual Diretor-Geral de Cultura. Segundo a especialista, o ciclo de controlo fecha-se aqui: o CGAC seria desse modo apenas uma unidade administrativa, sem autonomia nem orçamento próprio, a sua equivalência a uma subdireção-geral permite excluir legalmente qualquer profissional liberal com critério independente que possa defender um programa crítico no interior da instituição. Segundo a sua opinião esta estratégia não seria crime, mas sim a execução de um programa político focado no controlo da instituição.

Inaugurado em 1993 em Santiago de Compostela, o Centro Galego de Arte Contemporânea é a instituição de referência para a difusão e conservação da arte atual na Galiza. O seu edifício, localizado no Parque de Bonaval, é uma obra de referência projetada pelo arquiteto português Álvaro Siza.

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