Relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil já alertava em 2006 sobre o estado do Monumento Nacional. Um diagnóstico urgente do estado de conservação e a estabilização da mámoa apontadas como prioridades.
Redação |
O PCP apresentou uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2026 visando garantir uma intervenção pública urgente na Anta Grande do Zambujeiro. O monumento, que detém o estatuto de Monumento Nacional desde 1971, está inserido num território onde se destacam outros monumentos megalíticos, como o Cromeleque e o Menir dos Almendres.
Os deputados do PCP recomendaram ao Governo a implementação de um plano integrado e financiado para a salvaguarda e promoção da Anta Grande do Zambujeiro. A proposta estrutura-se em quatro eixos: estudo, proteção legal, conservação e restauro e valorização pública. O projeto prevê ainda a garantia de meios humanos, técnicos e financeiros para a sua execução.
Apesar do seu valor patrimonial, a Anta apresenta uma degradação preocupante. Um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil já alertava, em 2006, para o desgaste das rochas causado pela água e variações térmicas. O isolamento do monumento, somado à falta de vigilância e de acessos orientados, agrava o cenário e potencia atos de vandalismo.
Para o PCP, o estado da Anta exige uma intervenção urgente para assegurar a sua integridade. O processo deve iniciar-se com um diagnóstico do estado de conservação, seguido de trabalhos arqueológicos detalhados no monumento e na sua envolvente. É igualmente essencial promover um estudo multidisciplinar integrando-os na investigação global sobre o megalitismo alentejano.
A estratégia proposta foca-se na conservação e musealização do sítio para garantir a fruição social e valorização pública. Por fim, a revisão do enquadramento legal e dos meios de proteção é fundamental para corrigir lacunas legislativas, assegurando a salvaguarda efetiva e duradoura face às ameaças que o rodeiam.
De acordo com recomendação dos comunistas, a recuperação do monumento deve assentar num plano integrado e estruturado em quatro eixos. Esta estratégia prevê a realização de estudos arqueológicos, a revisão do quadro legal de proteção para garantir a segurança jurídica, a execução de trabalhos especializados de conservação e restauro e, finalmente, a promoção da valorização e fruição pública da Anta.
No que respeita ao estudo arqueológico, os principais objetivos da proposta passam por alargar o conhecimento científico sobre o monumento, compreender a articulação da Anta com os restantes elementos da necrópole e afinar a cronologia da sua construção.
A proteção efetiva do monumento e da sua área envolvente exige a revisão dos atuais instrumentos legais. Esta medida visa assegurar a delimitação de uma Zona Especial de Proteção adequada às especificidades do sítio, introduzindo restrições detalhadas que previnam alterações prejudiciais e garantam sua integridade paisagística, histórica e cultural.
A intervenção proposta exige uma equipa multidisciplinar que integre arqueólogos, engenheiros, geólogos, conservadores-restauradores, arquitetos paisagistas e mediadores patrimoniais. O foco principal reside na consolidação dos materiais pétreos e na implementação de soluções que garantam o reforço estrutural da arquitetura original.
A estabilização da mámoa (o montículo de terra que cobre a anta) é apontada como uma prioridade. O plano prevê ainda a definição técnica da manutenção ou substituição da atual cobertura, a viabilidade do acesso ao interior da câmara e o modelo de exposição das estruturas ao público.
Para garantir a plena fruição da Anta Grande do Zambujeiro, a proposta defende a melhoria dos acessos e a criação de condições seguras de visita. O plano prevê a definição de percursos que orientem a circulação e protejam as estruturas, complementados por sinalética interpretativa com base científica.
Para o PCP, a estratégia deve focar-se no envolvimento comunitário, sugerindo a formação de guias locais e programas de educação patrimonial, especialmente para o público escolar. Além disso, a iniciativa propõe a criação de espaços de mediação, exposição e consulta científica do espólio, ponderando a utilização do Centro Interpretativo do Cromeleque dos Almendres ou o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo.

