Faleceu a poetisa e jornalista santomense Conceição Lima

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Redação |

A cultura lusófona perdeu Conceição Deus Lima. A jornalista e poetisa são-tomense faleceu aos 64 anos, na passada sexta-feira, 15 de maio, na ilha de São Tomé.

Reconhecida como jornalista, poetisa e cronista, Maria da Conceição de Deus Lima é uma figura central na cultura santomense e cofundadora da União Nacional dos Escritores e Artistas do país.

No plano editorial, o legado da autora e jornalista é composto pelos títulos O Útero da Casa (2004), A Dolorosa Raiz do Micondó (2006) e O País de Akendenguê (2011), todos editados pela Caminho. O seu impacto internacional reflete-se na sua obra, que lidera as traduções da literatura santomense em línguas como o inglês, alemão, castelhano, servo-croata e turco, entre outras.

Conceição Lima concluiu a licenciatura com distinção em Estudos Africanos, Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres, tendo mais tarde obtido o grau de Mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas na África Subsariana, pela School of Oriental and African Studies.

Formada em jornalismo em Portugal na década de 80, mudou-se em 1988 para o Reino Unido, onde construiu uma vasta carreira na BBC. Além de ter sido correspondente do jornal Público, da Rádio França Internacional e da Voz da América, trabalhou como repórter e produtora televisiva na BBC entre 1995 e 2008, com foco em política, sociedade e cultura. Foi também jornalista de carreira na Televisão Santomense.

Em 2021, assumiu a coordenação nacional do Movimento Poético Mundial para São Tomé e Príncipe. Em setembro desse mesmo ano, o seu poema “Afroinsularidade” foi galardoado, ex aequo, no concurso Poems in Translation, uma iniciativa conjunta da Academia Americana de Poetas e da revista Words Without Borders.

Em setembro de 2025, o seu contributo para a literatura e para a afirmação da identidade cultural são-tomense foi celebrado com a sua nomeação como Embaixadora da Cultura de São Tomé e Príncipe. A distinção ocorreu numa cerimónia inserida nas comemorações do Dia das Mulheres Nacionais.

No dia a seguir à sua morte o Governo de São Tomé decretou três dias de Luto Nacional

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