Falhas geológicas travaram magma em São Jorge

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Redação |

A Universidade de Évora participou de um estudo internacional que explica por que não houve erupção nos Açores em 2022: falhas geológicas atuaram como válvulas de escape, retendo o magma antes que chegasse à superfície.
O estudo, Fault-mediated magma propagation and triggered seismicity revealed by the 2022 São Jorge Azores unrest, publicado na Nature Communications no passado 23 de abril, analisa como falhas geológicas controlaram o magma e a sismicidade durante a crise de 2022 na ilha de São Jorge, Açores.

Cientistas analisaram dados de satélite e sismos para comprovar que o magma subiu de 20 km de profundidade até estagnar a apenas 1,6 km do solo. O estudo indica que a falha do Pico do Carvão bloqueou a erupção ao permitir a libertação lateral de gases e fluidos, reduzindo a pressão interna antes de o magma romper a crosta.

Os autores do estudo afirmam que, para compreender erupções frustradas é vital para mapear o magma e prever riscos. Embora falhas e fraturas orientem o fluxo magmático, os seus mecanismos são incertos devido à carência de dados sísmicos precisos e mapeamento 3D limitado. A tripla junção dos Açores, onde coexistem sistemas vulcânicos e falhas sismogénicas, constitui um laboratório natural ideal para investigar estas interações. O estudo destaca como estas estruturas geológicas podem travar o magma, evitando desastres iminentes em regiões de elevada atividade tectónica.

O estudo analisa 18.000 sismos de alta precisão na Ilha de São Jorge, em 2022, utilizando sismómetros e dados geodésicos. A investigação revela que um dique magmático subiu rapidamente do manto de forma quase silenciosa (assísmica). Ao encontrar uma falha na crosta, o magma infiltrou-se e estagnou a apenas 1.600 metros da superfície. Esta análise detalha como a interação entre magma e falhas pode interromper erupções iminentes.

A sismicidade revela que a ramificação magmática e a fuga lateral de fluidos pela falha provocaram um enxame sísmico intenso e duradouro, com mecanismos focais rotacionados. O estudo comprova, assim, o papel ambivalente das falhas geológicas: tanto podem facilitar como travar a ascensão do magma.

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