Presidentes cabo-verdiano e brasileiro foram recebidos dias atrás pelas autoridades portuguesas. Governo galego e líder da oposição realizaram também viagens recentes aos dois países
Redação |
O encerramento da agenda europeia de Lula da Silva em Portugal foi marcado pelo contraste com as novas restrições migratórias do governo Montenegro. Simultaneamente, o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, reforçou em Belém a parceria estratégica e os laços com a diáspora.
O presidente Lula encerrou a sua viagem de cinco dias à Europa em Portugal. A visita ocorre num momento de endurecimento das políticas migratórias sob o governo do Primeiro-Ministro Luís Montenegro. Desde 2025, o executivo de Montenegro tem impulsionado leis que dificultam a concessão de vistos de trabalho, os pedidos de residência e o acesso à cidadania. Este contexto legislativo mais restritivo para os imigrantes marcou o pano de fundo diplomático da agenda europeia de Lula.
O Primeiro-Ministro português elogiou a comunidade brasileira, que já representa 5% da população de Portugal. Com cerca de 500 mil cidadãos regularizados, o país acolhe a segunda maior comunidade brasileira no exterior, superado apenas pelos Estados Unidos. Apesar das queixas de brasileiros sobre a demora na análise documental devido ao endurecimento das leis, Montenegro desvalorizou os atrasos, afirmando que dificuldades pontuais não definem a relação entre os dois países.
Lula reforçou a parceria bilateral e defendeu que o avanço do acordo Mercosul–União Europeia impulsionará os investimentos entre Brasil e Portugal. Ainda, foi crítico com a posição de Portugal em alusão à paralisação do acordo. O líder brasileiro também manteve uma reunião estratégica com o presidente português, António José Seguro, para consolidar estes objetivos.
Por sua parte, o Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, realizou uma visita de oito dias a Portugal no âmbito da iniciativa “Presidência na Diáspora”. O roteiro incluiu diversos encontros com a comunidade cabo-verdiana, abrangendo estudantes, empresários, desportistas e autarcas, com um foco particular na região Norte do país.
Durante a deslocação, o Chefe de Estado sublinhou que a paz e a estabilidade são os principais recursos estratégicos de Cabo Verde, elementos que sustentam as relações bilaterais com Portugal. Neves atribuiu o prestígio de Cabo-Verde em Portugal ao papel ativo da sua diáspora, identificando um vasto potencial de cooperação futura entre universidades, empresas, autarquias e organizações não-governamentais.
O ponto alto da agenda institucional ocorreu no Palácio de Belém, onde o Presidente cabo-verdiano foi recebido pelo seu homólogo português, António José Seguro. O encontro reforçou os laços históricos e a vontade mútua de aprofundar parcerias estratégicas entre os dois Estados.
Brasil e Cabo-verde na agenda política galega
Também em datas recentes quer o governo galego, através da Direção geral de exteriores, quer a líder da oposição, Ana Pontón, têm-se destacado mediaticamente aproveitando a agenda de cooperação com Cabo-verde e o Congresso do PT para estreitarem a cooperação académica, política e económica entre Cabo-verde a Galiza e o Brasil.
Em março deste ano o Diretor Geral de Relações Exteriores do governo galego, Jesus Gamallo, participava na cidade cabo-verdiana de Praia no II Encontro Internacional de Mulheres Eleitas de Cabo Verde, Moçambique e Galiza, organizado pelo Fundo Galego de Cooperação e Solidariedade com apoio governativo.
O governo da Galiza tem vindo a multiplicar declarações, encontros e parcerias no âmbito dos países de língua portuguesa desde que em 2021 tentou, sem êxito, apresentar uma candidatura própria como observador associado na CPLP. Assim, neste encontro na Praia destacaram “a lusofonia como referência na definição e o estabelecimento das prioridades geográficas na política galega de cooperação” afirmando que “a continuidade das alianças de trabalho com os países africanos de língua oficial portuguesa constitui um dos valores diferenciais da nossa cooperação” e reconhecem “o valor e a experiência de trabalho nestes países sócios quanto à ação exterior“, disse Gamallo, entre os quais incluiu explicitamente “Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique entre a lista de outros 11 países prioritarios“.
Por sua parte, a líder da oposição galega, Ana Pontón, participou dias atrás no 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores, reafirmando a aliança com Lula na defesa da paz, da soberania e do multilateralismo. O encontro fortaleceu laços políticos focados na democracia e na resolução pacífica de conflitos globais, posicionando ambas as organizações na defesa do direito internacional.
A líder galega propôs ainda o reforço da cooperação académica, económica e cultural. Em reuniões estratégicas, Pontón defendeu o aumento das exportações galegas para equilibrar a balança comercial com o Brasil e incentivou intercâmbios universitários em biotecnologia e ciências do mar.

