duas mulheres palestinianas e um homem muito preocupados atentos ao que se ouve nos telefone na mão de dois deles

Seis filmes imperdíveis de 2025

   Tempo de leitura: 4 minutos

Redação |

A revista Afroféminas selecionou seis obras cinematográficas de 2025 que compõem um manifesto visual contra o esquecimento, reafirmando o cinema como uma ferramenta vital de resistência e denúncia social.

Das dores de uma mãe negra nos EUA ao grito de uma criança palestina, o cinema do passado ano ofereceu denúncia e memória. Entre deslocados pela guerra no Sudão, o combate ao machismo no freestyle de Barcelona, a releitura antirracista de Spike Lee e o abandono da classe operária francesa, estas obras reafirmam o cinema como arte de ativista que mostra realidades invisibilizadas.

Em Harta, o realizador Tyler Perry entrega uma obra visceral. Taraji P. Henson brilha como Janiyah, uma mãe sufocada por racismo, precariedade e violência sistémica. Levada ao limite, ela explode em um ato desesperado ao fazer reféns em um banco, tornando-se símbolo da raiva coletiva. O filme é um thriller político doloroso que retrata a exaustão de quem o sistema tenta silenciar.

A diretora tunisiana Kaouther Ben Hania constrói em A Voz de Hind uma obra devastadora sobre o genocídio em Gaza. O filme reconstrói as horas finais de Hind Rajab, uma menina de seis anos cercada por familiares mortos, implorando por socorro à Crescente Vermelha sob fogo israelita. Utilizando 70 minutos de gravações reais da voz de Hind, a narrativa foca no centro de operações que tentava, em vão, coordenar o resgate. Sem violência explícita, a obra apoia-se no terror psicológico de uma criança suplicando por ajuda. O filme é um documento político, um grito contra o esquecimento e um lembrete sobre o custo humano da ocupação.

Em 2022, quatro cineastas sudaneses — Anas Saeed, Rawia Alhag, Ibrahim Snoopy, Timeea M. Ahmed – e o británico Phil Cox — começaram a filmar Khartoum, a rotina de cinco moradores de Cartum. Com o início da guerra civil em 2023 e o deslocamento de milhões de pessoas, diretores e protagonistas fugiram para o Quênia. Lá, reconstruíram as suas histórias num documentário híbrido que utiliza animação e sequências oníricas. O filme evita a violência direta, focando na humanidade. Premiado em Sundance e na Berlinale, Khartoum é um retrato devastador e afetuoso, da resiliência do povo sudanês.

Em Do Céu ao Inferno, Spike Lee e Denzel Washington adaptam o clássico de Akira Kurosawa para uma Nova York pulsante, imersa no hip hop e nas divisões de classe. David King, um magnate da música que resiste à desumanização da IA, enfrenta um dilema moral devastador: o seu filho é sequestrado, mas os criminosos pegam, por engano, o filho do seu motorista. Lee transforma a trama em uma reflexão sobre capitalismo racial e integridade artística. Com uma trilha sonora que dita o ritmo da narrativa, o filme é uma homenagem vibrante ao Brooklyn e à resistência cultural negra.

Jean-Gabriel Périot adapta o ensaio de Didier Eribon, Regreso a Reims, um documentário-ensaio sobre memória e classe. Ao retornar à sua cidade natal, o sociólogo confronta a família operária da qual fugiu por ser gay e de esquerda. Através de arquivos de lutas operárias, o filme retrata uma classe trabalhadora abandonada pela esquerda e seduzida pela extrema-direita. Périot investiga as feridas abertas da política francesa, questionando traições históricas e o que significa voltar para casa quando o lar já não existe.

Em Ruido, a catalã Ingride Santos estreia na longa-metragem com a história de Lati, uma rapper afro-espanhola que busca no freestyle um refúgio após o luto. Entre a resistência da mãe muçulmana e o treinamento clandestino com uma mentora marginalizada, Lati enfrenta as batalhas de rima e os seus próprios traumas. Filmado nas periferias de Barcelona, Ruído mergulha na cultura urbana para denunciar o machismo, o racismo e a gordofobia no hip hop.

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