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O navio alemão com pavilhão português foi denunciado junto das autoridades portuguesas por transporte de 400 toneladas em bombas. Mais de quarenta coletivos defendem que governo deve agir novamente em coerência com o reconhecimento do Estado da Palestina.
O Centro Europeu de Apoio Jurídico (ELSC) – organização independente que defende e fortalece o movimento de solidariedade com a Palestina em toda a Europa por meios legais – formalizou uma queixa-crime junto das autoridades portuguesas contra o proprietário alemão do navio Holger G.
A ELSC exige a abertura de um processo criminal e a apreensão imediata das mais de 400 toneladas de carga militar que a embarcação transporta. O navio, que ostenta bandeira de Portugal, partiu da Índia no dia 1 de novembro.
O movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel (BDS) revelou que as advogadas Carmo Afonso e Madalena Vaz apoiaram a queixa apresentada no Departamento Central de Investigação e Ação Penal contra a proprietária do navio, a alemã Gerdes Bereederungs.
Paralelamente, a seguradora britânica NorthStandard Limited foi notificada sobre os riscos normativos da sua prestação de serviços. A fundamentação baseia-se nas diretrizes britânicas de 2024 que suspendem a exportação de bens militares para Israel, tornando qualquer facilitação logística passível de punição criminal para entidades e cidadãos do Reino Unido.
O movimento BDS saudou a ação judicial interposta em Lisboa. Segundo o seu coordenador, Mahmoud Nawajaa, o navio Holger G. transporta granadas, bombas de morteiro e aço de uso militar, afirmando tratar-se de “um carregamento de material militar que Israel utilizará para assassinar palestinianos“.
O Governo português mantém o silêncio sobre o navio Holger G., apesar do requerimento entregue no Parlamento pela deputada Mariana Mortágua. A líder do Bloco de Esquerda exige que o Executivo tome as mesmas diligências adotadas no caso do navio Kathrin: a retirada imediata da bandeira portuguesa e a apreensão da carga militar, que a deputada afirma destinar-se ao genocídio de Israel na Palestina.
A pressão sobre o Governo aumentou com o apoio de mais de 40 associações e coletivos à mesma exigência. Na manhã de sexta-feira passada, uma comitiva composta pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses, Conselho Português para a Paz e Cooperação, Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente e Projeto Ruído entregou uma exposição formal no Ministério dos Negócios Estrangeiros. As organizações defendem que o Estado português deve agir de forma coerente com o seu recente reconhecimento do Estado da Palestina.


