Indicadores de direção em Macau em português e chinês

Português em Macau, estará mesmo a crescer?

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Apesar da tendência indicada pelos dados, a língua portuguesa em Macau parece estar-se a reduzir a uma mera formalidade, mesmo que a administração local tenha vontade de a promover

Redação |

Na última década, o número de alunos a aprender português na Região Administrativa Especial de Macau registou uma tendência de aumento contínuo. Segundo a Direção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude – DSEC, mais de 11.500 estudantes do ensino não superior aprendiam a português em 2023/2024, enquanto em instituições de ensino superior os cursos de língua ou lecionados em português atraíam mais de 1.500 alunos.

Os dados da DSEC indicam que, entre 2011 e 2021, num período em que a população local aumentou 16,63% para 550.374, o número de residentes que dominavam a língua portuguesa subiu quase 20,7% para um total de 14.939. Este número representava apenas 2,71% do total dos residentes em 2021, sendo ainda assim ligeiramente superior ao 2,62% anotado em 2011.

No mesmo período temporal, o número de habitantes locais que tinham o português como língua corrente cresceu 3,96% para 3.751 e, os que falavam português no seu dia-a-dia, correspondia a 0,68% em 2021, aquém dos 0,76% registados em 2011. Os dados estatísticos revelam ainda que, entre todos os grupos etários jovens com o domínio do português, residentes com idades entre 20 e 24 anos registaram o aumento mais notório entre 2011 e 2021, com o número a subir 49,23% para 1.267.

Por outro lado, em 2021, 95,7% dos habitantes de Macau dominavam o cantonês, 52,2% o mandarim, e 24,3% o inglês e, na vida quotidiana, os falantes de cantonês, mandarim, inglês e português ocupavam 89,4%, 3,64%, 1,28% e 0,68% da população local, respetivamente.

Apesar da tendência indicada pelos dos dados estatísticos, a língua portuguesa em Macau parece estar-se a reduzir a uma mera formalidade, mesmo que a administração local tenha vontade de a promover. O resultado futuro sempre dependerá da dinâmica social em que estão inseridas essas iniciativas e são incertas as consequências que isso possa vir a trazer a nível das relações com os PALOP. Macau tem uma vantagem devido aos seus laços histórico-políticos com Portugal, porém, com o tempo, essa história pode se diluir e fragilizar se não se produzirem sinergias para a preservar.

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