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De acordo com o Balanço do Turismo na Galiza do 1º quadrimestre de 2025 publicado pela Área de Estudos e Investigação Turismo da Galiza (AEITG), no âmbito turístico internacional, Portugal é o principal espaço de procedência. No primeiro quadrimestre de 2025 registaram-se cerca de 96.000 pernoitas de procedência portuguesa, 5 % do total dos turistas que dormiram na Galiza e mais de 19 % do total internacional. Portugal supera em volume e peso todos os mercados ibéricos exceto Madrid e Castela e Leão. Madrid é o mercado emissor mais importante a nível estatal, com 221.000 pernoitas, 11.6 % da procura turística total de dormidas em hotéis galegos.
Com as suas paisagens deslumbrantes, estimada gastronomia, temperaturas amenas e cultura vibrante, a Galiza tornou-se um destino cada vez mais procurado. Este fluxo crescente de visitantes tem dado origem a um fenómeno apelidado de fode-chinchos na gíria popular galega. Um vocábulo pejorativo e humorístico com o qual se designam os veraneantes que vêm de fora da Galiza -nomeadamente madrilenos – que não respeitam a idiosincrasia galega. O termo é usado para descrever comportamentos desrespeitosos e predatórios que exploram os recursos e abusam da hospitalidade galega sem a devida consideração pelos costumes, o ambiente, a língua, a cultura e pelas pessoas.
A teoria mais divulgada sobre a origem do termo situa o seu nascimento nas Rias Baixas durante a década de 1970, e está relacionada com os chinchos – carapaus ou jurelos de pequeno tamanho – desprezados pelos pescadores locais que eram consumidos pelos turistas madrilenos. Os incómodos do aumento do turismo amplificou o uso do termo, passando a definir todo veraneante que causa perturbações pela sua ignorância ou prepotência.

O termo sociológico que ecoa o fode-chincho de superioridade moral, abuso da hospitalidade, egoísmo e exaltação da espanholidade, tem sido cada vez mais utilizado para verbalizar uma frustração crescente entre os galegos. Embora a maioria dos visitantes seja bem-vinda e se comporte de forma exemplar, há um segmento que, consciente ou inconscientemente, adota atitudes que causam fricção e indignação.
Apesar da beleza natural da Galiza ser um dos seus maiores atrativos, não é infrequente que não sejam respeitadas as normas ambientais, deixando lixo em praias e trilhos ou acampando em áreas protegidas. A este desrespeito junta-se o desprezo pelas tradições galegas, pelo idioma galego e pelos costumes, chegando com frequência a situações grotescas e bizarras: queixas pela temperatura das águas, pela presença de gaivotas ou algas nas praias, e ainda pelas horas a que cantam os galos, pelos cães ladram pelas noites ou pelo uso no meio rural de máquinas.
E ainda, estacionamentos de veículos em zonas marítimas sujeitas às marés com o consequente escárnio dos vizinhos quando as viaturas são inundadas; comportamentos barulhentos em zonas residenciais, exigências desproporcionadas em estabelecimentos, faltas de respeito aos trabalhadores e às normas dos locais ou a subestimação da identidade galega
O tema tem sido cada vez mais abordado em debates públicos, artigos de opinião e nas redes sociais, o que demonstra uma crescente consciencialização e um desejo de encontrar soluções que equilibrem o benefício económico do turismo com a preservação da qualidade de vida dos galegos e a sustentabilidade do seu território e com o respeito à identidade própria.
Perante este comportamento de certo tipo de turistas que vêm a Galiza como mero cenário de um parque temático e os galegos como figurantes, diversas plataformas têm lançado campanhas para promover um turismo responsável, apelando ao respeito pelo ambiente, pela cultura e pelas comunidades locais, pela língua galega e pelas tradições e como forma de resistência à massificação turística que desvirtua a essência da Galiza.
A decisão de um bar do município de Oleiros (Corunha) de fechar as portas durante uma semana do mês de agosto de 2024 para não ter que aturar certos comportamentos de turistas colocou em destaque o debate sobre a desafeção aos turistas provenientes do centro da península ultrapassou fronteiras e foi tema de um artigo no jornal britânico The Guardian.
Depois de compilar uma amostra das críticas dos galegos nas redes sociais, o The Guardian explicou o que é um fode-chinchos, referindo-se aos seus comportamentos mais mencionados: «rouba marisco, grita muito, reclama que tudo está escrito em galego, embora se entenda perfeitamente, usa uma pulseira com a bandeira de Espanha e diz que Madrid é o melhor lugar do mundo, apesar de fugir de lá sempre que pode».

