Documentário português analisa indústria da ajuda na Palestina

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Redação |

O podcast de jornalismo de investigação Fumaça acaba de lançar a série documental “Indústria da Ajuda na Palestina“, um trabalho que se propõe a desvendar o complexo e contraditório papel da ajuda internacional na Palestina ocupada.

A investigação questiona o destino e o impacto real dos mais de 50 mil milhões de dólares que chegaram à Palestina após 30 anos desde os Acordos de Oslo, em forma de ajuda humanitária e ao desenvolvimento. “Centrando-se nas consequências que a agenda de instituições internacionais tem na perpetuação da ocupação colonial da Palestina”, a série mergulha na engrenagem que se formou ao longo das últimas três décadas, envolvendo inúmeros doadores, ONGs, comités e fundos, criando o que os jornalistas do Fumaça designam “indústria da ajuda”.

O cerne da investigação reside em entender para onde foi este avultado montante de dinheiro e quem realmente está a beneficiar-se. Um dos ângulos abordados é a forma como a ajuda internacional, ao tentar focar-se na melhoria da economia e no desenvolvimento palestiniano, acaba por ignorar ou contornar o problema central da ocupação. O podcast explora a crítica de que, com esta abordagem, a ajuda contribui para a dependência, falhando a promessa de apoiar a autodeterminação.

O primeiro episódio da série, intitulado “Estado Sombra“, dedica-se a uma das instituições mais emblemáticas e controversas: a UNRWA, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina. Citando a máxima de que “Aos judeus deram-lhes Israel e a nós deram-nos a UNRWA“, o episódio percorre campos de refugiados na Cisjordânia e no Líbano para examinar a dualidade da agência.

Criada para aliviar uma crise, a Agência é frequentemente acusada de contribuir a perpetuar a situação de crise e a dependência dos refugiados. “Indústria da Ajuda na Palestina” foi um trabalho feito ao longo de três anos, resultado de mais de 40 entrevistas e cerca de uma centena de livros, teses e relatórios “focado sobre as estruturas que a chamada comunidade internacional criou, sobre a cumplicidade dos grandes doadores – em particular a União Europeia e os Estados Unidos da América –, sobre os mecanismos que perpetuam a ocupação e abrem espaço para o que vemos acontecer, em tempo real, nos nossos ecrãs.”

O trabalho de investigação, escrita e narração é de Rafaela Cortez, com reportagem também de Ricardo Esteves Ribeiro, e desenho de som de Bernardo Afonso.

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