A aviação poderia estar a atravessar um momento de transformação com a ascensão dos propulsores elétricos. Dois projetos principais, o chinês RX4E e o norte-americano Heart X1, para 4 e 30 passageiros respetivamente, poderiam vir a revolucionar a mobilidade aérea. Enquanto os americanos estariam a olhar para o mercado interno, a China procura espalhar o seu modelo de pequeno porte a nível global.
Redação |
A aeeronave RX4E obteve, em janeiro de 2025, a certificação pela Administração de Aviação Civil da China. É primeira vez que uma aeronave elétrica é autorizada para voo comercial sob os regulamentos CCAR-23, que regem a navegabilidade de dimensões reduzidas. Desenvolvido pela Rhyxeon General Aircraft Company – subsidiária da Academia de Aviação Geral de Liaoning da Universidade Aeroespacial de Shenyang – o RX4E exemplifica o foco chinês em praticidade e comercialização imediata.
Com uma envergadura de 13,5 metros e 8,4 metros de comprimento, a aeronave tem um peso máximo de decolagem de 1.260 kg. Ela é impulsionada por uma bateria de lítio de 70 kWh que entrega uma potência máxima de 140 kW. O alcance operacional situa-se em torno de 300 km, com uma autonomia de voo de 1,5 hora e capacidade para transportar quatro passageiros.
Por sua vez, o modelo norte-americano completou o seu primeiro voo neste agosto e destaca-se como o maior avião totalmente elétrico do mundo. O projeto X1 da Heart Aerospace é um demonstrador em escala real desenvolvido para validar tecnologias voltadas ao futuro avião comercial ES-30, uma aeronave de 30 lugares, com certificação prevista para 2031. Além disso, o modelo contará com uma autonomia elétrica de 200 km, um tempo de carga de 30 minutos e autonomia híbrida de 800 km.
O atual X1 possui uma envergadura de 32,3 metros, comprimento de 23,2, altura de 7,3 metros e peso de decolagem superior a 11.340 kg. Movido 100% a bateria, atinge velocidade máxima de 259 km/h e altitude máxima de 610 metros.
No modelo norte-americano, o foco reside na integração comercial e na viabilidade econômica de longo prazo, priorizando o transporte regional. O projeto da Heart Aerospace é desenvolver aeronaves de grande porte, focando na redução de custos operacionais e na integração com a infraestrutura das companhias aéreas tradicionais.
A estratégia chinesa é a expansão global. A parceira operacional Volar Air Mobility planeia comercializar a série RX em 15 países, com um foco que prioriza o Sudeste e Suoeste Asiáticos e para África, mercados com um acesso limitado historicamente à infraestrutura de aviação convencional. Os casos previstos englobam aviação privada, turismo, saltos entre ilhas, fotografia aérea, mapeamentos, operações agrícolas, pesquisa científica e evacuações médicas.
Ambos os modelos compartilham os benefícios da propulsão elétrica: emissão zero, redução do ruído e menores custos operacionais. No entanto, as suas diretrizes geoestratégicas divergem conforme as necessidades dos seus mercados domésticos e ambições internacionais. A China posiciona-se como facilitadora de conectividade em regiões emergentes, enquanto o modelo norte-americano aponta para uma reestruturação do transporte aéreo dentro das suas próprias redes de infraestrutura.
Fotografias: Heart Aerospace e Universidade Aeroespacial de Shenyang





