O país dentro da aldeia

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“Todo o mundo é composto de mudança.”

Camões podia estar a falar de um império. Eu penso numa aldeia. Porque uma aldeia contém o mundo inteiro.

Nela encontramos a infância e a velhice. A chegada e a partida. O nascimento e a despedida. A esperança e a perda.Tudo o que acontece aos povos acontece primeiro às pessoas.

Por isso, quando uma aldeia resiste, não está apenas a preservar casas ou caminhos.Está a preservar uma maneira de compreender a vida.

O Barroso nunca foi apenas um território.É uma ideia de comunidade.Uma convicção silenciosa de que a vida humana ganha sentido quando partilhada.

As gerações passam. Os rostos mudam. Os nomes sucedem-se.Mas há valores que atravessam os séculos.

Camões sabia-o.

Talvez por isso os seus versos continuem vivos.

E talvez por isso o Barroso também continue. Não igual. Nunca igual. Mas reconhecível, como um velho amigo que o tempo transformou sem conseguir apagar.

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