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Noémia Louçã faleceu no passado dia 20 de maio, aos 95 anos de idade. Nascida em Maputo, cresceu influenciada pelo exemplo do pai, um opositor à ditadura que foi perseguido e deportado pelo regime. Desde muito cedo, assimilou os valores da liberdade, da justiça e da resistência democrática que viriam a nortear toda a sua vida.
Licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa, foi uma voz ativa no movimento associativo estudantil e integrou o MUD Juvenil (Movimento de Unidade Democrática).
Resistente antifascista e defensora dos direitos humanos, a sua carreira na advocacia foi pioneira: tornou-se a primeira mulher a exercer em Maputo e a primeira portuguesa a intervir no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Ali, alcançou uma vitória marcante contra o estado português num caso relacionado com a morosidade da justiça.
Integrou ainda o júri dos exames de agregação à Ordem dos Advogados e foi agraciada, em 1996, com a Ordem do Infante D. Henrique pelas mãos do Presidente Mário Soares.
Escreveu o livro Uma Fragata no 25 de Abril, onde registou a coragem e a dignidade da Revolução de 1974. A obra recorda a recusa do seu marido, António Seixas Louçã (comandante do Navio da República Portuguesa Almirante Gago Coutinho), em obedecer às ordens do regime no 25 de abril.
Militante e colaboradora ativa do Bloco de Esquerda, Noémia Louçã manteve um compromisso de vida com a liberdade, a justiça social e a democracia.

