Medalha de Ouro para Souto de Moura

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Redação |

Eduardo Souto de Moura foi galardoado com a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitetos. O júri justificou a escolha destacando uma obra moldada pela inteligência, pela contenção e por um profundo sentido de responsabilidade social.

O arquiteto portuense Souto de Moura receberá em 30 de junho a distinção mais prestigiada atribuída a um arquiteto por outros arquitetos, sendo o vencedor selecionado a partir de nomeações enviadas por organizações profissionais de todo o mundo.

O júri foi composto pela presidente da União Internacional dos Arquitetos, Regina Gonthier, pelo arquiteto David Adjaye e pela arquiteta Lu Wenyu. A atribuição da medalha teve em consideração que a arquitetura Souto de Moura sempre foi sobre definir modos de vida, a beleza, clareza e dignidade. Para o júri, o seu trabalho eleva o espírito humano não pelo espetacular, mas sim pelo rigor. A sua arquitetura nunca busca atenção, preferindo encaixar-se na paisagem de forma calma e controlada, sendo precisamente essa contenção que lhe confere uma ressonância emocional duradouro.

O júri também destaca que, Souto de Moura, cultivou um corpo de trabalho de notável amplitude, abrangendo arquitetura doméstica, instituições culturais, infraestruturas e intervenções urbanas. Os seus projetos destacam-se por uma compreensão precisa da construção, pelo uso refinado de materiais e pela capacidade de estabelecer relações essenciais entre a arquitetura, a paisagem e o tempo.

Museu Paula Rego em Cascais

Entre as obras de Souto destacadas pela União Internacional de Arquitetos, foram selecionadas o Mercado e o Estádio de Braga, a Casa das Artes, a Torre Burgo e o Metro do Porto e a Central Hidroelétrica da Barragem de Foz Tua. A seleção inclui ainda o Museu Paula Rego, em Cascais, a Casa em Zagreb, na Croácia, o Pavilhão do Vaticano para a Bienal de Veneza, e a Pousada de Santa Maria do Bouro, em Amares. Para além destas, o arquiteto portuense também assinou projetos como a ponte Dell Accademia, em Veneza, o Centro Português de Fotografia – Edifício da Cadeia da Relação do Porto ou a Casa do Cinema Manoel de Oliveira.

A entrega da medalha acontecerá a 30 de junho, na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, no âmbito do Congresso Mundial de Arquitetos. Já no dia seguinte, 1 de julho, o Moco Museum Barcelona inaugurará uma exposição dedicada à obra de Eduardo Souto de Moura, organizada a partir do acervo que o arquiteto depositou na Casa da Arquitetura em 2018.
Souto de Moura é o segundo português a conquistar esta prestigiada distinção mundial em vida, sucedendo a Álvaro Siza, que recebeu o prémio em 2011. Ainda no âmbito lusófono, o brasileiro Paulo Mendes da Rocha recebeu o galardão em 2021.

Outros premiados foram os japoneses Toyo Ito, Tadao Ando e Fumihiko Maki, o sino-estadunidense Ieoh Ming Pei, os mexicanos Teodoro González de León e Ricardo Legorreta Vilchis, o italiano Renzo Piano, o espanhol Rafael Moneo, o indiano Charles Mark Correa, o finlandês Reima Pietilä e o egípcio Hassan Fathy.

Até o momento, nas mais de quatro décadas de história do prémio da União Internacional dos Arquitetos, nenhuma mulher foi laureada com a distinção.

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