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O antigo Campo de Concentração do Tarrafal poderá vir a ser reconhecido como Património Mundial da UNESCO. O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde anunciou que está a trabalhar na preparação da candidatura oficial daquele espaço histórico.
Numa sessão marcada pela partilha de memórias com antigos presos políticos, o Ministro da Cultura, Augusto Veiga, anunciou que a candidatura do atual Museu da Resistência a Património Mundial está a dar passos firmes. Segundo o governante, o processo para elevar o antigo Campo de Concentração de Tarrafal de Santiago ao estatuto da UNESCO encontra-se já numa fase avançada de preparação.
O projeto é encarado pelo Governo de Cabo Verde como uma prioridade estratégica para a valorização, preservação e internacionalização do património histórico e memorial do país. O dossiê técnico e histórico da candidatura sairá reforçado com os testemunhos marcantes partilhados pelos antigos presos políticos durante o encontro, cujos relatos sobre o período de reclusão foram considerados fundamentais para consolidar o processo.
Com esta iniciativa, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas reafirma o compromisso de conduzir um processo participativo e rigorosamente alinhado com as exigências internacionais. O objetivo final é garantir a inscrição do Tarrafal na lista da UNESCO, consolidando o antigo campo de concentração como um espaço de memória, educação e promoção dos direitos humanos, da liberdade e da dignidade humana.
Entretanto, uma importante descoberta arqueológica veio trazer novos dados sobre o complexo: foram localizados os vestígios materiais da antiga “Frigideira”, a temida cela de punição usada pelo regime colonial português.
A estrutura agora localizada — erguida em agosto de 1937 após uma tentativa de fuga coletiva — tornou-se o mais trágico símbolo da ditadura portuguesa e do regime colonial no Tarrafal. Ao longo do seu funcionamento — dividido entre os períodos de 1936-1954 e 1961-1974 —, o “campo da morte lenta” recebeu mais de 500 opositores à ditadura portuguesa. Hoje, quem visita o Tarrafal encontra uma lápide em memória das 36 vítimas mortais confirmadas no recinto: 32 portugueses, dois angolanos e dois guineenses que sucumbiram às condições extremas do campo de concentração.
Os trabalhos de escavação, atualmente em curso, integram uma intervenção coordenada pelo Instituto do Património Cultural de Cabo Verde, e contam com a participação do arqueólogo e investigador André Teixeira, do Centro de Humanidades, vinculado à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e à Universidade dos Açores,

