Compostela rejeita Fly2Galicia por laços com Israel

   Tempo de leitura: 3 minutos

A empresa da Fly2Galicia estaria ligada a Al-Majd Europe e à transferência coerciva de 153 palestinianos de Gaza para Joanesburgo

Redação |

A apresentação da Fly2Galicia para ativar rotas no aeroporto de Santiago gerou forte controvérsia pública. A polémica deve-se às ligações da operadora FlyYo a voos organizados pela entidade Al-Majd Europe para a deslocação forçada de cidadãos palestinianos da faixa de Gaza.

A polémica, fez com que o governo da capital galega, liderado por Goretti Sanmartín, se demarcasse do projeto, garantindo ausência de apoios devido às ligações da companhia aérea contra os direitos humanos.

Enquanto a empresa mantém silêncio, os movimentos sociais e as plataformas de solidariedade com a Palestina exigem que as infraestruturas galegas não se transformem em plataformas operacionais para empresas coniventes com as práticas do estado de Israel.

Na sequência deste conflito, esta segunda-feira, o Ministro dos Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030, Pablo Bustinduy, declarou também, em Madrid, que poderia vir a aplicar a lei de embargo a Israel à Fly2Galicia pelo seu envolvimento com os voos organizados pela Al-Majd Europe.

A FlyYo é uma companhia romena com sede em Bucareste controlada pela família Mayberg, de origem judaico-ucraniana. Aron Mayberg, figura central do grupo, foi um dos maiores acionistas da extinta Ukraine International Airlines. Por sua vez, Manette Mayberg, é vice-presidente da Orthodox Union, além de integrar o comité de direção da Mosaic United e o comité executivo da Berman Hebrew Academy.

Quanto à Al-Majd Europe, investigações conduzidas pela Al Jazeera e pelo jornal israelita Haaretz expuseram o seu papel na expulsão coerciva de 153 palestinos de Gaza para Joanesburgo, numa operação tratada internamente como “migração voluntária”.

O grupo operava em coordenação com o COGAT, o ramo do Ministério da Defesa e do Exército israelita responsável deslocação forçada e esvaziamento de Gaza. A rede era liderada pelo empresário israelita-estoniano Tomer Janar Lind para coordenar saídas via Aeroporto Eilat Ramon.

Após forte pressão mediática gerada pela retenção de passageiros na pista em Joanesburgo, a Al-Majd Europe emitiu um comunicado a defender-se das críticas públicas. A entidade afirmou ter sido fundada por refugiados de regimes ditatoriais com o objetivo de salvar civis da opressão, negando em simultâneo quaisquer ligações a agências de inteligência como o Mossad. Além disso, culpou a Autoridade Palestina por tentar ativamente boicotar as suas operações “de evacuação”.

Apesar de a organização garantir que todos os viajantes possuíam documentação regular e apoio filantrópico, o caso gerou intensa divisão política na capital de África do Sul (Pretória) e colocou sob escrutínio internacional a legalidade e os propósitos desta rede.

Enquanto em Compostela e Madrid governos e debate público parecem favorecer a defesa dos direitos humanos das populações árabes, esta mesma semana nos meios de comunicação portugueses está a ser alimentada uma polémica sobre quem pode ou não ser convidado pelo PCP para a 50.ª edição da Festa do Avante, em relação à participação da Frente Popular para a Libertação da Palestina no encontro festivo — uma organização comunista palestiniana que o Conselho da União Europeia terá incluído em 2002 numa lista de organizações consideradas terroristas —.

Os organizadores do evento já saíram a público a justificar que “não regem as suas relações internacionais por critérios arbitrariamente impostos por entidades sem qualquer credibilidade“.

Realizando-se este ano nos dias 4, 5 e 6 de setembro, a Festa do Avante! assume-se como um evento de cariz cultural com um cunho marcadamente político, sendo o seu próprio nome inspirado no do jornal do Partido Comunista Português.

Share